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04 março 2011

Série Antídoto: A cura para a igreja evangélica brasileira


O antídoto para a restauração da saúde da igreja brasileira é mais simples do que parece


Por Leonardo Gonçalves

Que a igreja brasileira não está vivendo o seu melhor momento, não é nenhuma novidade. Basta pesquisar a palavra “igreja” no Google para se dar conta do quanto a instituição carece de integridade e doutrinamento. No entanto, creio que apenas criticar os novos rumos do cristianismo tupiniquim, com seus pastores-apóstolos, profetas mercenários e pregadores cheios de estrelismo, não ajuda a resolver o problema. Obviamente, sei reconhecer o valor de uma crítica bem articulada, mas desprezo a atitude de quem somente destrói sem edificar nada no lugar, apenas pelo prazer de ver os escombros. A agressividade de quem só ataca sem oferecer uma resposta satisfatória à problemática eclesiástica e a hostilidade de quem aponta o problema, mas é incapaz de (tal como Neemias) ser a resposta ao próprio clamor é tão reprovável quanto a conduta dos mercadores da fé. Em síntese, tal atitude redunda em hipocrisia e grande desejo de aparecer às expensas daqueles que são objeto da sua fúria voraz.

Nesse ínterim, mentes esclarecidas argumentam contra o atual estado das coisas, mas na maioria dos casos, esquece-se de dizer como as coisas deveriam ser. Preocupam-se em execrar os farsantes, mas não indicam uma outra via, uma possível eleição. Deste modo, acaba-se promovendo uma generalização banal. A “apologética denuncista”, tão popular nos últimos anos, acaba fortalecendo o estereótipo latente no imaginário popular de que todo pastor é ladrão e que igreja evangélica é sinônimo de bandalheira.

Não quero assumir nenhuma postura messiânica. Não tenho o brilhantismo de Lutero, nem o zelo teológico de Calvino. Falta-me a coragem de John Huss e Wyclyffe, e sobra-me o pedantismo e a inconstância de Pedro. Sendo assim, ninguém mais improvável do que eu, para querer dogmatizar a apologética ou indicar a única via possível para a restauração da igreja evangélica neste país. Apesar disso, a paixão que tenho pela igreja, somada a pouca experiência de 10 anos como plantador de igreja, me conferem um pouco de autoridade para abordar este tema tão polemico. E visto que tenho falado sobre indicar o caminho sobre o qual a igreja evangélica brasileira deve trilhar para desenvolver-se de modo saudável, passarei a discorrer sobre aqueles tópicos que, a meu ver, deveriam ser tratados com mais responsabilidade pelos líderes eclesiásticos do nosso Brasil.

Primeiramente, a igreja brasileira precisa de pastores com vivencia apologética. Observe que não estou falando de pregação apologética, mas de vivencia apologética. Não creio que pregar contra a rosa milagrosa, o sabonete ungido e a fogueira santa seja mais necessário que a integridade ministerial. Já dizia um antigo pastor: “uma grama de testemunho vale mais que um quilo de pregação”. A crise da igreja evangélica brasileira não é apenas teológica; ela é moral. A própria teologia neopentecostal com sua ênfase na prosperidade adquirida através de vultosas ofertas nada mais é do que o reflexo do caráter hediondo dos seus arautos, verdadeiros estelionatários que já estariam atrás das grades, se este fosse um país sério. A vida do ministro sempre falará mais alto que seu sermão, razão pela qual sua vida, e não apenas o seu sermão, deve ter ênfase apologética. Pietismo, santidade, pudor, vergonha na cara, devem ser buscados mais do que as unções, os poderes, as línguas e as profecias.

Em segundo lugar, nossa liderança precisa ser mais tolerante com respeito à liturgia, adequando-se ao mundo contemporâneo. Precisamos deixar de perder tempo discutindo se podemos ou não dançar, se o rock é de Deus ou do diabo, se devemos ou não aplaudir, e concentrar-nos mais no evangelho de Jesus. Peço desculpas pelo tom de desprezo, mas sinceramente acho ridículas as discussões presbiterianas sobre “salmodia exclusiva”, e risível o argumento pentecostal de que a verdadeira musica sacra foi escrita há cem anos. Se temos como objetivo comunicar as verdades espirituais aos homens e mulheres do nosso tempo, precisamos de uma liturgia que se adapte as necessidades do mundo contemporâneo.

Logo, em terceiro lugar, penso que a igreja evangélica precisa de contextualização missionária. Isso decorre do segundo ponto: O povo brasileiro é ímpar por causa da sua diversidade cultural, e isso vai refletir na igreja. No entanto, a maioria dos pastores brasileiros parecem insensíveis a essa diversidade cultural, e acabam impondo a linguagem e os costumes do “gueto gospel” aos incrédulos. Dessa forma, criam uma geração de crentes estereotipados, meros papagaios de chavões de mau gosto: “Fala vaso!”, “Oh, varão, tem fogo aí?”, e outras fraseologias que são acessíveis apenas aos iniciados e que excluem a todos os demais. Precisamos de uma igreja cuja pregação se adapte a linguagem, contexto e necessidades do povo brasileiro.

Precisamos resgatar a pregação cristocentrica, a mensagem da justificação pela fé, e enfatizar estas verdades em todo tempo, pois elas são o cerne da teologia protestante. Nossas igrejas não possuem ênfase cristocentrica em seus ensinos. Aliás, para ser sincero, Cristo é um personagem coadjuvante nas pregações hodiernas. Fala-se muito sobre Davi, Sansão, Elias e Eliseu, profetas e reis do Antigo Testamento, mas muito pouco se fala sobre os méritos da cruz e sua aplicação na vida do crente. A justificação pela fé permanece apenas na qualidade de dogma, pois na prática o que vale mesmo é a teologia da barganha, da permuta, do “fiz por merecer”. A doutrina da justificação pela fé é o contraponto para refutar as heresias da prosperidade e a manipulação do sagrado, tão propaladas no meio pentecostal e mais recentemente pelos neopentecostais, sendo esta mais uma razão pela qual ela deve ser enfatizada.

Em quinto lugar, se queremos ser realmente bíblicos em nossa forma e próposito, precisamos elaborar uma eclesiologia menos centralizadora, que faça jus a doutrina protestante do sacerdócio de todos os crentes e introduza os leigos no ministério cristão, servindo com seus dons. Uma das maneiras de conseguir isso é através de pequenos grupos, reuniões caseiras, criando uma estrutura que promova a comunhão ao mesmo tempo em que permite que os crentes descubram seus talentos e ministrem a outros. Ao fazê-lo, estaremos permitindo que “a justa operação de cada parte produza o crescimento” (ênfase acrescentada).

Finalmente, creio que devemos ser sensíveis o suficiente para perceber até que ponto vale à pena lutar contra o sistema, e em que ponto é necessário abandonar o barco. Como disse no início deste texto, opor-se ao mercantilismo evangélico, as barganhas e vida pecaminosa dos líderes eclesiásticos, sem dispor o próprio coração para ser você mesmo a cura que a igreja precisa, nada mais é do que palavrório vão. As “igrejas S/A” tem ferido a milhares de pessoas, e é preciso que se levantem servos de Deus para apascentar, restaurar e re-orientar estas pessoas. Há uma grande necessidade de igrejas sadias no nosso país e eu oro para que alguns dos críticos de hoje ultrapassem a barreira da crítica pela crítica e se proponham a ser a mudança que a igreja precisa. Oro para que muitos dos que hoje acusam a igreja de tantos pecados, se disponham a ser, eles mesmos, os líderes que anelam ver.

É claro que há muitos outros aspectos em que a igreja brasileira pode e deve melhorar, mas creio que se conseguirmos aplicar estes, já teremos feito um grande progresso.


***
Leonardo Gonçalves ama a igreja e deseja amá-la cada vez mais. Sonha com uma igreja diferente e se dispôs a ser – ele mesmo – a resposta da sua oração. E você? Será que você está disposto a se transformar na igreja que você sonha ver? Está disposto a se transformar no líder ético e espiritual que você anela ter? #isso_é_reforma!
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18 outubro 2010

Ronaldo Lidório: Apóstolo brasileiro


Por Leonardo Gonçalves

Eu acredito em apóstolos. Ao contrário do que alguém pode pensar, sempre cri em apóstolos. Se cresse de outro modo, jamais teria deixado meu país aos 18 anos de idade para peregrinar entre povos e cidades da América Latina, sem promessas financeiras e, a princípio, sem nenhum envio formal, levando apenas a convicção do meu chamado.

É claro que não creio no moderno movimento apostólico, importado da teologia Mórmon e pregado pelos arautos oriundos da outra América, a “próspera”. Não creio em apóstolos canônicos, cuja Palavra seja autoritativa e inspirada no mesmo grau dos escritos de Paulo, Pedro e os demais escritores bíblicos. Também não creio em apóstolos que fundam igrejas fazendo divisões, que negociam “coberturas” a pastores caídos que foram excluídos de suas denominações, que pregam prosperidade fácil e são presos com dólares na bíblia ou na cueca. Estes eu não engulo!

Contudo, a existência do falso não anula o verdadeiro, antes, o confirma. E considerando o sentido etimológico da palavra apostolo (no grego, “enviado”), posso dizer que ainda existe tal ministério. “Ele mesmo deu uns para apóstolos...

Diferente dos apóstolos modernos, os verdadeiros apóstolos contemporâneos são humildes, anônimos, e detestam holofotes. Muitos se consideram indignos do título, e preferem ser chamados de pastor ou de irmão. Agem assim porque sabem que o único título de que são dignos é o de “aprendiz de servo inútil”, pois não fizeram tudo o que lhes foi mandado.

Ronaldo Lidório é um líder que tem o dom de converter teologia em práxis, exatamente como deve ser. Ele é um daqueles pastores que enchem nosso coração de esperança, e nos fazem enxergar que a igreja de Cristo transcende aos escândalos, abusos e descalabros tão comuns na igreja contemporânea. Ele (presbiteriano) é a prova de que ser cheio do Espírito Santo não é falar em línguas desconexas pré-aprendidas, mas viver uma vida frutífera para a glória de Deus.

Lidório é o apóstolo Brasileiro. Suas credenciais apostólicas são os convertidos rebeirinhos do Brasil, Makandá e Labuer e mais de 40 pastores Konkombas. Sua carta de recomendação às igrejas? Seis mil convertidos entre aquela etnia.

Que a vida de Ronaldo e Rossana sirva de desafio para mais jovens serem missionários e lingüistas entre povos não-alcançados!




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Não conheço Ronaldo pessoalmente e escrevi este texto sem consultá-lo. É bem provável que ele, ao tomar conhecimento da publicação, rejeite o título ou faça algumas ressalvas. Coisa de apóstolo... :)
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04 setembro 2010

Democracia, regimes ditatoriais e o governo eclesiástico

Um ensaio acerca da filosofia de ministério neoevangélica


Por Leonardo Gonçalves

Estudiosos dizem existir múltiplas formas de governo. No entanto, para fins práticos, eles acabam por desembocar em uma destas duas tendências: a democracia e a ditadura. O primeiro (em teoria) se dá com a participação do povo; o segundo, muitas vezes, sem ela. Na democracia, existe um incentivo ao pensamento gratuito e uma preocupação com a liberdade de exprimir estes pensamentos. Nos governos ditatoriais, existe a coibição das idéias opostas, e em nome dos “ideais” se assassina todos aqueles que possuem uma visão distinta.

Cuba se encaixa neste último perfil. Lá, idéias divergentes não são bem vindas. Somente crentes burgueses de classe média ou analfabetos sociais usam uma camisa vermelha do Che Guevara e acham que são evangélicos revolucionários. Nenhuma revolução que se dê por eliminação dos opostos e supressão da liberdade serve aos interesses do reino. Neste ponto, alguém certamente dirá: “Mas o que dizer das campanhas militares de Israel no AT, que ceifavam milhares de vidas?”. Da minha parte, nada respondo. Somente me assombro com o fato da igreja de Cristo, passados dois mil anos, não conseguir se desvencilhar destes rudimentos, insistindo em viver com um pé no monte Sinai!

Reconheço que governar não é uma tarefa fácil. Falar de democracia e aplicar esta filosofia de ministério às igrejas evangélicas pode parecer um surto neoliberal. Não obstante, as razoes pelas quais proponho esta analogia não são revolucionárias. São apenas sensatas.

Historicamente, há “razoes” (supostas, claro!) que justificam a forma autoritária com que muitos líderes regem suas denominações. A teocracia do Éden e a monarquia de Israel oferecem exemplos de governos centralizados e centralizadores. Em toda a história, Deus sempre levantou líderes e os investiu de poder, de modo que fossem representantes dele. Seus “ungidos”. Outro fator a considerar é que nem sempre o povo tem razão, e ceder aos seus caprichos às vezes equivale a se opor a Deus. Veja o que aconteceu com Israel no deserto: Moisés demorava lá no Sinai, e o povo teve uma “grande idéia”. Despojaram-se dos objetos de ouro e pediram a Arão que lhes fizesse um ídolo para adorar. Arão era o sacerdote, e como tal devia ter se oposto à maioria, mas acabou cedendo à pressão e confeccionando um ídolo, tal como acontece hoje na dita igreja evangélica que se adapta às demandas mercadológicas, ignorando as ordenes de Deus.

Se por um lado, nem sempre é útil dar voz ao povo, também devemos reconhecer que governos centralizados não são o único exemplo de liderança encontrados na bíblia. Veja o caso de Moisés, durante o êxodo. Liderar uma multidão de milhares não era uma tarefa fácil, e muitas pessoas não recebiam a atenção que necessitavam. O povo estava descontente, e Moisés se desgastava. Seu sogro veio visitá-lo e o aconselhou a delegar autoridade constituindo juízes que pudessem se ocupar das causas menores. O mesmo principio aparece no Novo Testamento. Nele, vemos uma igreja composta por múltiples ministérios, muitos presbíteros, diáconos que pudessem cuidar das questões materiais, mestres que zelassem pela doutrina da igreja, enfim, um sistema de governo compartilhado a fim de envolver o maior numera de pessoas no serviço cristão, edificando assim o corpo de Cristo.

Como evangélico, brasileiro e membro de uma igreja pentecostal, escutei inúmeras vezes que a Democracia não servia aos interesses de Deus. “Demo-cracia é o governo do demo!”, repetia um dos pastores que tive, aludindo a um governo que, segundo ele, velava pelos interesses do demônio. Na verdade aquele pastor, assim como muitos líderes de hoje, confundia democracia com anarquia. Era como se o governo democrático excluísse totalmente o papel do pastor e a sua influencia, quando na verdade ela apenas confirma a legitimidade do mesmo.

Insisto que não estou criando nenhuma novidade, e nem quero. Se uso palavras como “democracia” e “ditadura” é apenas para que este texto alcance o maior numero de pessoas (por isso, caro irmão “teólogo”, não se sinta ofendido e nem me chame de herege pelo fato de não utilizar seus jargões esquisitos como teonomia, teocracia, governo presbiteriano, congregacional ou ainda as formulações recentes e pós-modernas “eclesiologia líquida” e “igreja orgânica”. Poupe-me deste enfado!).

Continuando esta comparação, notamos que a democracia não é anarquia, mas seu oposto. Ela não exclui a liderança, mas a reconhece. Brasil e Estados Unidos são sistemas democráticos, e ambos possuem presidentes. Democracia não é um autogoverno. Sou radicalmente contra o “autogoverno” dos crentes, a filosofia de ministério que afirma que não precisamos de pastores e outros ministros e que cada crente é pastor de si. A experiência comprova que este autogoverno nada mais é do que um autoflagelo, pois deixa de reconhecer que nem todos os membros do corpo possuem a mesma função (1Co 12.29, Ef 4.11). No entanto, o despotismo presente nas igrejas pentecostais e neopentecostais, onde os pastores fazem o que desejam sem nunca ser contrariados é uma barreira para o desenvolvimento de um ministério saudável.

Governos democráticos não regem a si mesmos. Eles são regidos por uma constituição. O presidente, ao menos em tese, é aquele que deve cumprir e fazer cumprir os princípios da Carta Magna da sua nação. Os ministérios (defesa, economia, agricultura), desempenham seus múltiplos papéis, mas também são regidos e limitados pela Constituição. Por tanto, se existe uma força soberana em uma nação democraticamente governada, não é o povo, mas a Constituição Federal.

Do mesmo modo, entendo que é possível ter autoridade eclesiástica sem ser autoritário ou complacente. Isso acontece porque, embora amplamente abertos ao debate e contestação, nós também possuímos uma Carta Magna, uma “Constituição do Reino”, que deve reger a conduta e crença dos pastores, ministros e leigos, e que possui testemunho interno e externo de sua confiabilidade, sendo atestada e reconhecida como Palavra de Deus. Esta constituição não está sujeita a emendas, de modo que os ministros que desejam viver sob a égide do evangelho e apascentar o rebanho de Cristo devem cumprir e fazer cumprir esta Palavra, sob pena de anátema naquele dia em que os segredos do coração humano serão revelados.

Por isso, afirmo que a democracia não é inimiga da igreja e nem dos pastores. Ela não é um governo do “demo” como alguns querem sugerir, mas aquele que melhor rege o interesse da nação e dos que estão sobre o seu solo. Nela, o líder é supervisionado por toda nação e auxiliado por todos. No entanto, pesa sobre ele a autoridade de governante, não podendo ceder aos caprichos aqueles que não se submetem ao prelado da Constituição, do mesmo modo que o pastor não deve, à semelhança de Arão, ceder às vontades do grupo dissidente quando este se opõe à vontade de Deus revelada, com ingratidão, defraudando a Deus que os resgatou. Em casos assim, espera-se do líder que seja viril ao ponto de cumprir seu chamado e, se necessário for, se opor a tudo e a todos para fazer valer a vontade de Deus.

Quando o oposto acontece, isto é, quando é o líder quem se opõe claramente às verdades expressas nas Escrituras, convém que os ministérios tomem o “poder”, despojando o governante até que se levante outro que, com ética, respeito por Deus e sua Palavra, prometa conduzir o povo de modo fiel, honrando ao Sumo Legislador deste Reino, o nosso Soberano Senhor.


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Leonardo Gonçalves é missionário, professor de teologia sistemática e blogueiro


Nota:

Embora este ensaio utilize uma analogia de governos seculares, as filosofias de ministério aqui defendidas são o Presbiteriano e Congregacional, ao mesmo tempo que rejeitamos à ideologia neopentecostal (centralizada, e “de cima para baixo”) e as cosmovisoes pós-modernas e/ou emergentes. As igrejas pentecostais em geral possuem, em teoria, um regime Congregacional, embora na prática o que se impõe como lei é a vontade do pastor presidente por cima da assembléia e dos ministros.
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31 agosto 2010

Rir com quem ri... chorar com quem chora


Por Leonardo Gonçalves

Sábado Carlos casou. Não oficiei a cerimonia, mas foi quase isso. "Preguei" na boda, e me alegrei com eles.

Ontem Elias morreu. Ele tinha dois anos; a mesma idade do Ravi. Os pais dele tem a mesma idade que eu e Jonara. Estive com eles ontem e hoje, e acabo de chegar do cemiterio, onde preguei o sermão mais difícil da minha vida.

Tentei não chorar, mas lembrei da exortação biblica para se alegrar com quem se alegra e chorar com quem chora. Havia aprendido que o oficiante não deve se emocionar ou chorar, mas pensei que se fosse comigo, eu gostaria muito que meu pastor chorasse tambem, demonstrando se importar com a minha dor. Se Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, por que razão eu não tenho direito de me comover pela morte de Elias? Não, eu não sou "mais homem" que Jesus, por isso permiti que as lgrimas rolassem por um momento.

Ontem, 30 de agosto, completou um ano que meu avô morreu. Não pude estar lá para confortar meu pai, mas hoje confortei alguém que até bem pouco tempo atrás não conhecia.

Uma vez alguém me perguntou o que é ser pastor. Na época, não soube responder. Se hoje me fizessem a mesma pergunta, eu diria que é "rir com quem ri e chorar com quem chora", o que síntese, é bem mais simples do que me ensinaram no seminário. Mas, ao mesmo tempo é tão complicado!

Que Deus ajude os pais do pequeno Elias. E que ele me ajude também.
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30 julho 2010

Soldado ou guerrilheiro: Quem é você afinal?




O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento do PT com as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.

Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com o PT. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.

Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?

Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?

Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!

Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?

Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.

Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!

Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.

Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?
 

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