14 agosto 2010

Teologia do Deus imperfeito, de Ed René, Ricardo Gondim e Elienai Cabral Jr


Por Leonardo Gonçalves


DEUS DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?[..] Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.


(Elienai Cabral Jr.)


Existe neste país uma nova tendência teológica. Nada de novo, confesso, apenas mais do mesmo, importado e requentado no microondas da filosofia pós-modernista. Existencialistas de verve trágica, mais amigos de Sartre e Nietzsche do que Jesus de Nazaré, os novos teólogos brasileiros falam de teologia de modo muito apaixonado, mas parecem definitavemte ter saído dos trilhos. Afim de contextualizar com a geração emergente, estes pensadores repaginaram a fé, dando a ela um toque de relativismo e mística medieval, criando assim uma "outra espiritualidade", bem nos moldes daquela que Paulo condenou em Gálatas 1.8.

Bastante sutis, os arautos deste novo cristianismo conseguem cativar as mentes daqueles que estão enfadados com a igreja, e entre eles fazem escola. Na vanguarda da denúncia, os profetas da burguesia vão destilando toda sorte de impropérios contra os pregadores de prosperidade, carros e mansoes, e assim ganhando a simpatia daqueles que noutro tempo padeceram debaixo das garras malignas dos marajás do evangelho. Enquanto isso, tais como serpentes traiçoeiras, vão minando a base do cristianismo histórico, e roubando a glória e majestade que a Deus pertencem. No lugar do Onipotente, apresentam um deus fraquinho, raquítico. Um Deus imperfeito, ao invés daquele cuja essência é a perfeiçao. Definitivamente, uma outra espiritualidade.

No texto de Elienai Cabral, vemos o retrato de um Deus impotente, medíocre e pequeno. Em tese, o autor apresenta uma divindade oca, desprovida de glória e poder, constantemente desafiado por suas descapacidades e imperfeiçoes.

Negando a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a presciência dos fatos e a onipotência divina, a teologia dos "novos evangélicos" Ricardo Gondim, Ed René Kvitz e Elienai Cabral, simplesmente tiram Deus do cenário e introduz um ‘deus’ trapalhão e afeminado em seu lugar.

Não nego que os ensaios espiritualistas como este de Elienai podem parecer poeticamente atrativos, mas as heresias que recheiam suas linhas são extremamente nocivas, e precisam ser combatidas. Como calar-me diante de tamanha afronta? Não é a mim que eles diminuem e desprezam com seus conceitos relacionais, mas ao Soberano Senhor cuja glória enche a Terra. É o Deus vivo que está sendo reduzido, relativizado e transformado em um fracote que carece de tomar Biotônico Fontoura. Pobre deus; mal pode consigo mesmo!

Acerca dessa falsa teologia, Tomas C. Oden, em uma edição da revista americana Chistianity Today, declara:

“Conceber tal fantasia (um Deus finito e mutável) é incorrer em uma espécie de engano teológico cuja sutileza é maior do que se pode imaginar no que tange às explicações e conseqüências que tal conceito impõe à fé cristã”

Ora, meu amigo, o Deus da bíblia em nada se compara a essa pseudo-divindade humanista, e com o perdão da palavra, um deuzinho chulé, feito sob medida para filósofo ateu. O Deus bíblico é despótico, soberano, onipotente, onisciente, cheio de glória. Ele também é criador, sustentador, provedor e governador deste universo, e nenhuma coisa escapa ao seu absoluto controle; nem mesmo aquelas que as vezes não entendemos. Ele não se abriu a nenhum futuro desconhecido: Ele sabe o fim desde o começo e executa a sua vontade!

Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. - Isaías 46.9-10

Louvado seja Cristo, o kyrios despotes – Soberano Senhor – aquele cujos projetos não falham, que vela pela sua palavra para que se cumpra. Este sim, é digno de toda honra e louvor. Um Deus em quem a gente pode confiar.

9 comentários:

Pr Julio Soder disse...

"Deus segundo o esquerdista, o emo e o agnóstico "maluco beleza"! É dose pra fazer John Piper arrepiar os restinhos de cabelo!

Jucileia disse...

Pr Leonardo, realmente não dá pra, escrituristicamente, acreditar num Deus assim. Mas, creio que o Godim e o Kivitz, muito sensíveis com a questão humana, se debateram por demais para encontrar respostas à questão do mal no mundo, ou seja conciliar a Bondade, Soberania, Onisciencia e Autoridade de Deus com as calamidades e catástrofes, tanto naturais quanto morais que afetam pessoas. Eles não conseguiram fazer a síntese e optaram por uma teologia relacional. Acho que é isso. Seria bom se pudéssemos ouvi-los e vê se é isso mesmo o que eles asseveram ou se estão apenas utilizando uma linguagem poética

Leonardo Gonçalves disse...

Juciléia,

Nao se trata mais de linguagem poética, e sim de uma nova e estranha doutrina. Realmente é uma pena, pois os dois primeiros foram líderes de grande influencia no nosso país.

Que Deus os traga de volta à sua senda, e nos ajude a crer na sua providencia mesmo quando nao entendemos seu agir.

Grande abraço,

Leonardo.

Clóvis disse...

Leonardo,

Belíssimo, corretíssimo e necessário texto. Definiu muito bem o que eu considero uma ameaça pior que a TP à sanidade da igreja.

Que Deus continue te usando para alertar os desavisados e confirmar as desconfiança dos prevenidos contra essa heresia.

Em Cristo,

Clóvis
Editor do Cinco Solas

Davi Godoy disse...

Pr, hoje no twitter o Pr Ed Rene postou o seguinte: Inventaram que sou adepto do teísmo aberto. Hoje falo aos jovens da Ibab e esclareço que é mentira.
Não seria sensato considerar uma resposta?

Leonardo Gonçalves disse...

Davi Godoy,

O Ed René dificilmente usaria o jargao Teísmo Aberto. Ele prefere a alcunha "teologia relacional", mas se vc comparar ambas teologias perceberá que uma é cópia da outra. Sao teologias irmas.

Como digo: "pintam o poço, mas a água continua a mesma"

Mas vou ouvir o que ele tem a dizer à respeito.

Abraço, e paz!

Leonardo.

Davi Godoy disse...

Pastor, segue o link do vídeo onde ele explica o teísmo aberto e sua posição: http://pt-br.justin.tv/celivan/b/269892998?.
Realmente ele cita a questão do Deus que se revela enquanto se relaciona com o indivíduo, daí vem o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
Enfim, minha proposta não é uma defesa de algum lado, é realmente compreender perspectivas opostas para formar minha opinião.
Sou seminarista e creio que preciso ir além do seminário, por isso me engajo nessas questões.
Não se pode duvidar da relevância do ministério que a IBAB, comunidade do Pr Ed, tem exercido em nosso tempo, inclusive em projetos sociais, acabando por tornar-se referência sob muitos aspectos da Missão Integral.
Bom, estou tentando reter o que é bom após analisar tudo, e suas postagens tem me ajudado a formar algumas opiniões coerentes com a realidade contemporânea.
Abração.

Leonardo Gonçalves disse...

Ok Davi,

Já salvei no meu PC e depois vou dar uma olhada com calma. Mas só quero antes dizer que reconheço o quanto é importante o conceito de uma missao integral, das questoes sociais e éticas, e etc. Só nao concordo quando, em nome da ética, a verdade sobre Deus fica comprometida. Isso definitivamente nao podemos permitir.

Deus abençoe o Ed, a vc e a mim. Abraçao!

Leonardo.

Manuel Teixeira disse...

Creio que não existe nada mais nocivo do que acreditar que a nossa fé corresponde a verdade absoluta.
A fé concebe Deus com base nas limitações do ser imperfeito que a detem (o homem).
Mas Deus não muda por causa disso, ele não se torna perfeito ou imperfeito porque alguém acredita nisso.
Essa lição parece faltar a muitos religiosos, não estou defendendo a idéia de um deus imperfeito, ou medíocre, como parece ser o caso pelo seu relato, nem conheço suficientemente o caso para emitir tal opinião.
Defendo um pouco mais de atenção a nossas limitações, sua fé, tem valor inestimável, é soberana, inquestionável, mas é a sua fé, não a verdade absoluta, simplesmente porque se Deus é ou não perfeito, o fato é que você e eu somos imperfeitos e incapazes de conceber a perfeição em sua plenitude.
Não temos o direito de impor nossa fé, como ninguem tem o direito de maculá-la.
Nesse sentido, argumentos como heresia, não cabem a critica que faz. Tem todo o direito de se opor, mas para isso, presumo que deva fazê-lo considerando sua imperfeição, não a Dele, mas a sua. Qualquer outra posição, deixe para um cristo.

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