Serie Antídoto (2): A cura para a igreja evangélica brasileira

Por Leonardo Gonçalves
Depois que escrevi o primeiro texto da série Antídoto, fiz uma pausa em minha vida virtual para testar até que ponto eu estava sendo fiel aos princípios ali elencados. Creio que ser fiel a Deus e ao chamado dele para nossas vidas é essencial para se tratar de um assunto como estes. Também tenho dedicado meu tempo a observar os padrões e as formas da igreja contemporânea, sempre em oração e buscando discernir o que há de errado com a igreja evangélica. Obviamente que o que escrevo aqui não é norma absoluta de verdade e reconheço que posso ser refutado em um ou outro ponto. No entanto, o texto que segue é um exercício sincero do sentimento do meu coração, fruto do desejo de ver uma igreja sã, que embora imperfeita, glorifica a Deus neste mundo e não se esconde da sua missão de ser sal e luz.
A igreja é fruto do evangelho, e o evangelho é o anuncio da igreja. Deste modo, nada mais sensato que começar nossa meditação falando de evangelho. A palavra evangelho é oriunda do grego e significa “boas notícias”. Biblicamente falando, a noção de evangelho está bastante próxima do conceito de redenção, proclamação e comunhão.
Evangelho é proclamação. Não é qualquer proclamação, mas a proclamação de que o reino de Deus foi inaugurado na terra na pessoa de Jesus Cristo e está presente na vida dos seus súbditos. O reino de Deus está presente, embora não em sua plenitude. O conceito do “já e não ainda”, isto é, a idéia de que a vontade de Deus é realizada na terra mais ainda não alcançou o seu auge é parte da proclamação, e nos impulsiona a continuar expandindo este reino através de nossas palavras e ações.
Evangelho é redenção. Redenção no sentido mais puro e mais gratuito. E redimir significa comprar. No evangelho, Deus revela sua generosidade ao comprar para si a humanidade caída, desfigurada e destituída de genuíno valor. Uma vez que todos pecaram e se fizeram inúteis, não havia razão alguma, a parte da generosidade de Deus, para que ele nos comprasse para si. No entanto, em um ato gratuito e soberano, Ele decidiu resgatar o homem da sua condição pecaminosa oferecendo o que de melhor ele tinha. Na cruz, o filho de Deus foi moído por nós.
Evangelho é comunhão. E comunhão é a essência da nossa nova vida. Comunhão é ao mesmo tempo o próprio evangelho (a boa notícia de que os homens que estavam separados de Deus podem entrar na presença dele e chamá-lo de pai), como a conseqüência dele (o acesso a uma nova vida na família de Deus, pela fé em Cristo). Desfeitas as inimizades, podemos sentar juntos para adorar e compartilhar.
Estes três elementos, embora básicos, dificilmente podem ser encontrados nas igrejas ditas cristas. Ora, a proclamação do evangelho é o reino de Deus, que é a sua vontade feita na terra através dos seus servos. No entanto, nada mais esquecido do que a vontade de Deus. Sermões sobre entrega, rendição incondicional á soberana vontade de Deus e conformidade com os seus planos estão totalmente out. O pacote evangélico contemporâneo, salvo raras e justas exceções, não admite a humildade e a subordinação entre as suas virtudes, exceto quando se trata de obedecer cegamente aos líderes eclesiásticos. O “evangelho” pregado nos púlpitos da atualidade exalta a vontade do homem e o coloca no centro das atividades cósmicas. Do homem, pelo homem e para o homem são todas as coisas, bastando apenas determinar o milagre.
Também a redenção perdeu sabor e significado. Em um mundo movido a feedback, não há sentido em pregar uma obra restauradora intimamente ligada ao conceito de eternidade. Além disso, em nosso mundo relativista não há espaço para noções “obscurantistas” tais como certo e errado, e o pecado se transforma em uma questão de ponto de vista. Em termos práticos, a presença do pecado deixou de ser reconhecida, e conseqüentemente, a redenção deixou de ser necessária. Do mesmo modo, a comunhão, o companheirismo, o discipulado integral não encontrou cabida neste mundo de Martas, onde todo mundo está continuamente ocupado com tantas coisas. Restam poucas Marias, dispostas a sentar aos pés do mestre no aconchego de uma reunião caseira, e ouvir o que ele tem a dizer, enquanto desfruta da companhia e do calor humano dos demais, irmanados, unidos.
Como restaurar a igreja e seu tripé evangélico (proclamação, redenção e comunhão) que durante séculos nos caracterizou pela alcunha? A verdade é que a forma de pensamento que criou os problemas que temos hoje não é capaz de resolvê-los. Não é criando novas comunidades engessadas, feitas nos moldes daquelas que repudiamos, que vamos resolver o problema. Aliás, não é o atual esfriamento das relações e a ausência de vida na igreja o resultado de termos copiado o modelo católico de catedral, preterindo as relações e relegando-as a um plano inferior? A reforma protestante foi uma reforma de doutrinas, mas faltou aos reformadores a coragem de reformar também as estruturas.
Assim, reconhecemos que a estrutura eclesiástica contemporânea e ocidental é um estereótipo ruim. Variam as liturgias, mas perdura a idéia extravagante de que o templo é um lugar sagrado, ao invés de um ambiente funcional, tal como na igreja romana. O resultado disso é o engessamento e a letargia crista, já que a igreja não oferece uma estrutura que favoreça a propagação da sua mensagem, concentrando todos seus esforços no interior dos seus edifícios e fazendo da reunião do templo seu momento mais solene e importante.
A igreja precisa voltar ao evangelho para elaborar uma eclesiologia que sirva os interesses do reino de Deus, e não dos homens. Ela precisa olhar para o Novo Testamento a fim de encontrar nele o paradigma que lhe falta. Parte deste labor consiste em corrigir e lapidar a liturgia do templo, facilitando a comunicação, colocando Cristo novamente no centro da adoração e contextualizando sua mensagem. Outra parte, e talvez seja a mais difícil para a igreja institucional, é promover uma estrutura de cultos nos lares, bem como reconhecer sua autenticidade como igreja de Cristo. Além de fomentar a comunhão, esta iniciativa levará a igreja aos diferentes lugares, cumprindo de forma espontânea a ordem de anunciar o evangelho a toda criatura.
O resultado deste modelo de igreja? Redenção!
O Getsêmani: a solidão de Deus e a nudez do nosso coração

Por Leonardo Gonçalves
O capítulo catorze do evangelho de Marcos começa dizendo que os sacerdotes e escribas buscavam, com dolo, prender a Jesus (Mc 14.1, RC). Como não conseguiram encontrar algo que o desabonasse, as criaturas mais religiosas de seu tempo decidiram usar um ardil, uma falcatrua, um engano contra Jesus, com intuito de destruí-lo.
A bíblia diz que Jesus conhecia o coração dos homens (Jo 2.24), e que por isso não confiava neles. Jesus sabia exatamente com que intenção as pessoas o rodeavam, conhecia exatamente quem eram aqueles que estavam dispostos a segui-lo e quem eram seus inimigos. Ele conhecia o coração ardiloso do fariseu, o sapiente e inchado coração do escriba, e o cético coração do saduceu. Ele conhecia cada imagem da mente de Judas, de modo que este jamais pode esconder-se dele.
Mas Jesus não tinha apenas atributos divinos. Ele também era humano, e é sobre este Jesus homem que quero falar. O homem que abdicou de uma larga vida, de ter uma família, do carinho de uma esposa e do aconchego de um lar, de todas as comodidades de uma vida normal para experimentar sobre si a punição das nossas faltas. Aquele que, apesar da nobre missão que veio desempenhar, foi rejeitado pelos seus. Daquele que foi negado por Pedro, vendido por Judas, tratado com indiferença por Pilatos, espancado pelos soldados, crucificados pelos romanos e assassinado pelos meus pecados.
O momento da traição se aproxima, e Jesus vai ao Getsêmani orar. Em sua oração ele pediu o que qualquer homem pediria: “Passa de mim este cálice”, mas teve o discernimento que poucos homens possuem: “seja feita a tua vontade e não a minha”. O traidor se aproximava, e ele podia discernir seus passos de longe, de modo que a aflição aumentava. “Passa de mim este cálice”, dizia a sua carne, mas o sentido da sua missão o levava a sussurrar: “faça-se a sua vontade”.
Em cada aflição, “um anjo lhe fortalecia” (Lc 22.43). Ele passou três anos da sua vida consolando uma enorme multidão, mas na única ocasião que precisou de consolo e companhia, não houve amigos, não houve multodão, apenas anjos que o consolavam, situação emblemática que se perpetua na vida dos seus discípulos que vivem pelo senso da missão. Como diz Oswald Sanders, “a maior companheira do líder é a solidão” (ad tempora).
E veio o traidor, para com um beijo delatar o filho de Deus. Junto a ele, a comitiva que havia planejado o “dolo”, e que agora executaria seu plano macabro. Mas apesar da adrenalina envolvida naquele momento, Jesus não esboçou nenhuma surpresa: Ele definitivamente conhecia (de antemão) as intenções daqueles homens.
O processo de Deus é, muitas vezes, estranho aos nossos olhos. Seus caminhos envolvem grande tensão. Mas assim como a traição de Judas e o “dolo” dos seus inimigos não puderam frustrar seu propósito, do mesmo modo nenhuma traição, nenhum engano, nenhuma falsificação, nenhuma tristeza, nenhuma lágrima, nenhum abandono, nada... Absolutamente nada, pode frustrar o seu designo em nós. Nada pode surpreender aquele que conhece as maquinações dos perversos.
O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo! Teu amor, Senhor, permanece para sempre; não abandones as obras das tuas mãos! (Salmo 138.8 – NVI)
A bíblia diz que Jesus conhecia o coração dos homens (Jo 2.24), e que por isso não confiava neles. Jesus sabia exatamente com que intenção as pessoas o rodeavam, conhecia exatamente quem eram aqueles que estavam dispostos a segui-lo e quem eram seus inimigos. Ele conhecia o coração ardiloso do fariseu, o sapiente e inchado coração do escriba, e o cético coração do saduceu. Ele conhecia cada imagem da mente de Judas, de modo que este jamais pode esconder-se dele.
Mas Jesus não tinha apenas atributos divinos. Ele também era humano, e é sobre este Jesus homem que quero falar. O homem que abdicou de uma larga vida, de ter uma família, do carinho de uma esposa e do aconchego de um lar, de todas as comodidades de uma vida normal para experimentar sobre si a punição das nossas faltas. Aquele que, apesar da nobre missão que veio desempenhar, foi rejeitado pelos seus. Daquele que foi negado por Pedro, vendido por Judas, tratado com indiferença por Pilatos, espancado pelos soldados, crucificados pelos romanos e assassinado pelos meus pecados.
O momento da traição se aproxima, e Jesus vai ao Getsêmani orar. Em sua oração ele pediu o que qualquer homem pediria: “Passa de mim este cálice”, mas teve o discernimento que poucos homens possuem: “seja feita a tua vontade e não a minha”. O traidor se aproximava, e ele podia discernir seus passos de longe, de modo que a aflição aumentava. “Passa de mim este cálice”, dizia a sua carne, mas o sentido da sua missão o levava a sussurrar: “faça-se a sua vontade”.
Em cada aflição, “um anjo lhe fortalecia” (Lc 22.43). Ele passou três anos da sua vida consolando uma enorme multidão, mas na única ocasião que precisou de consolo e companhia, não houve amigos, não houve multodão, apenas anjos que o consolavam, situação emblemática que se perpetua na vida dos seus discípulos que vivem pelo senso da missão. Como diz Oswald Sanders, “a maior companheira do líder é a solidão” (ad tempora).
E veio o traidor, para com um beijo delatar o filho de Deus. Junto a ele, a comitiva que havia planejado o “dolo”, e que agora executaria seu plano macabro. Mas apesar da adrenalina envolvida naquele momento, Jesus não esboçou nenhuma surpresa: Ele definitivamente conhecia (de antemão) as intenções daqueles homens.
O processo de Deus é, muitas vezes, estranho aos nossos olhos. Seus caminhos envolvem grande tensão. Mas assim como a traição de Judas e o “dolo” dos seus inimigos não puderam frustrar seu propósito, do mesmo modo nenhuma traição, nenhum engano, nenhuma falsificação, nenhuma tristeza, nenhuma lágrima, nenhum abandono, nada... Absolutamente nada, pode frustrar o seu designo em nós. Nada pode surpreender aquele que conhece as maquinações dos perversos.
O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo! Teu amor, Senhor, permanece para sempre; não abandones as obras das tuas mãos! (Salmo 138.8 – NVI)
Inconveniência teológica

Por Leonardo Gonçalves
Hoje pela manhã uma tragédia horrível abateu a costa do Japão: Um terremoto de 8.9 seguido de um Tsunami destruiu cidades e casas, deixou aproximadamente 300 mortos e outras 300 pessoas feridas, número que pode aumentar nas próximas horas.
De manhã, Jonara ligou para a Carla, uma amiga que mora no Japão. Na conversa, ela contou que o terremoto durou cerca de 3 minutos, mas que o epicentro estava longe da sua cidade, e apesar do susto ela estava bem. Infelizmente, centenas de pessoas não tiveram a mesma sorte e se encontram agora debaixo dos escombros desta terrível catástrofe.
Nas redes sociais, especialmente no twitter, líderes religiosos expunham suas crenças e atacavam as crenças opostas. Por um lado, os defensores do open theism (ou teísmo aberto) e os adeptos da teologia relacional teclavam frases que podem ser sintetizada como: “Deus não sabia; ele foi pego de surpresa”. Do outro lado, alguns calvinistas pareciam fazer questão de deixar claro que o Tsunami foi obra do Deus soberano. Só faltou mesmo o senhor “Severo” para colocar a culpa na idolatria milenar do povo japonês, afirmando ser esta a grande responsável pelo tsunami, pelo terremoto e pelas centenas de mortes no Japão.
Diante de tudo isso, me pergunto qual deve ser a posição do cristão diante desta catástrofe? Devemos aproveitar o momento para discutir teologia? Devemos nos esforçar para criar uma teologia sistemática acerca da dor? Será que é hora de que se levantem os “advogados” de Deus com seus discursos melancólicos para afirmar sua inocência? Seria o tempo apropriado para que nós, calvinistas bíblicos, bradarmos a justiça punitiva de Deus no terremoto?
A resposta a que chego é que este é um momento inapropriado para os teólogos. E me refiro a todos eles. Não creio que o discurso relacional sobre uma divindade oca e movediça possa ajudar aqueles que precisam de uma rocha firme onde se apoiar neste tempo de calamidade. Um Deus que nada pode fazer pelo Japão é tudo o que os japoneses não precisam. Mas também creio que o discurso ortodoxo-fundamentalista que afirma que Deus estava presente ativamente no terremoto pode levar a confusão e dificilmente produzirá conforto.
Assim, acho que a discussão neste momento não é de teologia, mas de praxis. O mundo se pergunta onde está Deus em meio a este tão grande sofrimento: A resposta de Deus é (e sempre será) a ação da igreja, embaixadora do seu Cristo e seu corpo místico à serviço do mundo.
Redundo: Um Deus relacional oco em poder que é incapaz de intervir na situação dos japoneses não é o que precisamos! E um Deus soberano que em sua soberania não impulsiona seus filhos a servirem em amor às vítimas de tais calamidades também não é útil. Deixemos de inconveniências e oremos pelos japoneses.
#PrayForJapan
De manhã, Jonara ligou para a Carla, uma amiga que mora no Japão. Na conversa, ela contou que o terremoto durou cerca de 3 minutos, mas que o epicentro estava longe da sua cidade, e apesar do susto ela estava bem. Infelizmente, centenas de pessoas não tiveram a mesma sorte e se encontram agora debaixo dos escombros desta terrível catástrofe.
Nas redes sociais, especialmente no twitter, líderes religiosos expunham suas crenças e atacavam as crenças opostas. Por um lado, os defensores do open theism (ou teísmo aberto) e os adeptos da teologia relacional teclavam frases que podem ser sintetizada como: “Deus não sabia; ele foi pego de surpresa”. Do outro lado, alguns calvinistas pareciam fazer questão de deixar claro que o Tsunami foi obra do Deus soberano. Só faltou mesmo o senhor “Severo” para colocar a culpa na idolatria milenar do povo japonês, afirmando ser esta a grande responsável pelo tsunami, pelo terremoto e pelas centenas de mortes no Japão.
Diante de tudo isso, me pergunto qual deve ser a posição do cristão diante desta catástrofe? Devemos aproveitar o momento para discutir teologia? Devemos nos esforçar para criar uma teologia sistemática acerca da dor? Será que é hora de que se levantem os “advogados” de Deus com seus discursos melancólicos para afirmar sua inocência? Seria o tempo apropriado para que nós, calvinistas bíblicos, bradarmos a justiça punitiva de Deus no terremoto?
A resposta a que chego é que este é um momento inapropriado para os teólogos. E me refiro a todos eles. Não creio que o discurso relacional sobre uma divindade oca e movediça possa ajudar aqueles que precisam de uma rocha firme onde se apoiar neste tempo de calamidade. Um Deus que nada pode fazer pelo Japão é tudo o que os japoneses não precisam. Mas também creio que o discurso ortodoxo-fundamentalista que afirma que Deus estava presente ativamente no terremoto pode levar a confusão e dificilmente produzirá conforto.
Assim, acho que a discussão neste momento não é de teologia, mas de praxis. O mundo se pergunta onde está Deus em meio a este tão grande sofrimento: A resposta de Deus é (e sempre será) a ação da igreja, embaixadora do seu Cristo e seu corpo místico à serviço do mundo.
Redundo: Um Deus relacional oco em poder que é incapaz de intervir na situação dos japoneses não é o que precisamos! E um Deus soberano que em sua soberania não impulsiona seus filhos a servirem em amor às vítimas de tais calamidades também não é útil. Deixemos de inconveniências e oremos pelos japoneses.
#PrayForJapan
Calvinista, graças a Deus!

Por Leonardo Gonçalves
Calvinismo é o nome que popularmente se dá à formulação teológica que se preocupa por enfatizar a glória de Deus e sua soberania sobre os assuntos humanos em toda a sistemática doutrinária. Recebe este nome por causa do reformador francês João Calvino, o primeiro grande sistematizador da teologia cristã protestante. O que muitos ignoram, no entanto, é que Calvino não foi o “inventor” do calvinismo. A doutrina que envolve a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a predestinação do homem para a salvação e, conseqüentemente, para a condenação, a total pecaminosidade do homem não-regenerado que o impede de dar qualquer passo em direção a Deus, a negação do livre-arbítrio como fator soteriológico, tudo isso já era pregado por Lutero e os outros reformadores. Esta doutrina também era ensinada pelos pais primitivos, e muito especialmente nos escritos de Agostinho, bispo de Hipona, depois canonizado pela igreja católica. Enfim, a doutrina calvinista sempre existiu, embora com outros nomes, porque ela é bíblica e encontra suas bases mais sólidas nas sublimes afirmações de Jesus e do apóstolo Paulo.
Tal é a superioridade e o bibliocentrismo da teologia calvinista, que o grande pregador Charles Spurgeon chegou a afirmar que “calvinismo é apenas outro nome para evangelho”. De fato, nenhuma teologia posterior a ela conseguiu superá-la no que diz respeito à fidelidade doutrinária. Não é por casualidade que ela era crida e ensinada por grandes mentes do protestantismo, tais como Jonathan Edwards, Charles Haddon Spurgeon, e por célebres missionários como William Carey e Hudson Taylor. Ao longo dos anos a doutrina calvinista foi questionada, primeiro por James Armínio e seus discípulos, e ainda hoje é atacada por muitos, entre os quais se encontram principalmente os arminianos, os teólogos relacionais e liberais, mas jamais houve um momento da história eclesiástica esta doutrina deixou de ser crida e pregada.
Ainda me lembro do primeiro debate que tive com um calvinista. Naquela época eu tinha recém saído de um seminário pentecostal, onde havia sido bem instruído no arminianismo. Lá tinham me ensinado (sutilmente) que o calvinismo é uma grave heresia e uma desculpa para viver uma vida sem santidade ou temor. Lembro daqueles acalorados debates, dos quais eu sempre saia cheio de dúvidas (Dúvidas que pouco a pouco foram se convertendo em certezas opostas àquelas que eu tinha sustentado naqueles primeiros anos). Jamais me esquecerei do dia em que este amigo e debatedor me emprestou um exemplar em espanhol da “Carta de João Calvino ao Rei da França: Instituição da Igreja Cristã” . Que experiência maravilhosa ler aquele livro! Somente um livro despertou em mim mais prazer e curiosidade que aquele; a Bíblia Sagrada, no qual aquele volume estava respaldado.
Após isso voltei ao Brasil. Na viagem, eu lutava contra aquela “nova crença” que estava querendo brotar no meu coração. Ao chegar, me matriculei no curso de mestrado em teologia (livre). Para obter o título, escrevi uma tese de 200 páginas sobre aquilo que os filósofos chamam de “o problema do mal”. Em resumo, a tese se baseava no livre-arbítrio do homem, e era uma negação disfarçada do calvinismo, a grave heresia da qual me apaixonei na minha primeira estadia no país dos Incas. O problema é que quanto mais eu buscava pelo livre arbítrio, mas eu encontrava o designo de Deus. Terminei a dissertação, me graduei, mas o coração estava apertado, pois era a primeira vez que eu defendia uma crença incompatível com as minhas convicções.
Foi então que me falaram de um livro fantástico: “Eleitos, mas Livres”, do renomado apologista cristão Norman Geisler. Aparentemente, era tudo o que eu precisava naquele momento: Um argumento que conciliasse a liberdade humana absoluta e a eleição de Deus, cujo proponente era um dos maiores apologetas da atualidade. Mas a leitura deste livro foi um placebo, e seu efeito durou apenas alguns meses. Nessa época eu ensinava teologia sistemática no seminário da minha igreja, e pela primeira vez ensinei o calvinismo e o arminianismo ao mesmo tempo, incluindo no final da exposição aquilo que eu chamava de “cosmovisao conciliadora”. Que fiasco! Mais fácil me teria sido conciliar água e óleo.
Durante a leitura de “Eleitos, mas livres”, tive grande curiosidade de conhecer mais sobre o R.C. Sproul e o tal livro “Eleitos de Deus”, a quem Norman Geisler aparentemente refutava. Na verdade, a leitura daquele livro se impunha como uma questão de justiça: Eu precisava dar uma oportunidade também ao R.C. e o seu livro antes de tirar minhas conclusões. Até então, tudo o que eu tinha deste autor era um pequeno livro chamado “Filosofia para Iniciantes”, que ocupava um lugar secundário na minha parca biblioteca. Pois bem; bastou iniciar a leitura para o meu pesadelo recomeçar, porém agora o efeito que esta crença teria sobre mim seria decisivo. Acabei a leitura perplexo do “biblismo” do autor, o qual diferente de Norman Geisler, não apelava todo tempo para silogismos da razão humana, mas sempre recorria ao texto bíblico para elucidar suas questões. Ao terminar a leitura, eu estava “quase calvinista”.
Neste ponto, decidi trilhar meu próprio caminho. Separei um tempo para estudar sistematicamente a carta de Paulo aos Romanos, o maior tratado soteriológico já escrito. Decidi esvaziar ao máximo dos meus pressupostos, a fim de encarar o texto bíblico e as implicações a que ele me levasse. Em oração, passeei pelos primeiros capítulos e fiquei assombrado diante da total incapacidade humana. A frase “não há quem busque a Deus” ficou ecoando no meu coração durante muitos dias. Ali eu me vi morto em pecado, incapaz de buscar ao meu Senhor por mim mesmo, ou pelo meu livre arbítrio. Que terrível destruição causou o pecado! Os capítulos seguintes me conscientizaram da oferta gratuita de Deus, a salvação, a qual – agora eu entendia – era um bem eterno e irrevogável. Segui em meu estudo por alguns dias, e encontrei finalmente a visão da soberania de Deus, tanto sobre o destino das nações, quanto sobre os indivíduos. Um oleiro que tem absoluto poder sobre os vasos, inclusive para fazer uns para honra e exercer sobre eles misericórdia justa (estribada na justiça de Cristo); como para fazer outros para desonra e ira, e demonstrar sobre eles sua justiça penalizadora (estribada na sua santidade). Finalmente, entendi que “não depende de quem corre, mas de Deus que tem misericórdia”.
Após esta leitura fiz uma busca por toda bíblia, a qual sempre me dirigia a esta mesma verdade: A de que o homem nada pode fazer pela sua salvação, de que Deus os chama como um ato soberano e glorioso e de que o “livre-arbítrio” está dominado por uma perversa natureza que é incapaz de exercer impulso soteriológico positivo. Permanece, no entanto, alguns questionamentos de outrora. Na verdade, depois de algum tempo me dei conta de que algumas questões realmente não possuem explicação lógica. Entendi que o paradoxo é essencial ao cristianismo, uma vez que o cristianismo é um ato de fé. Mas não busco justificar a Deus por punir o pecado com um inferno eterno, tal como muitos pretensos apologistas fazem. Apenas repito ao meu coração que as ações de Deus são justas (como de fato, são) e toco o meu barco. Reconheço que o calvinismo, à principio, é uma doutrina amarga, principalmente para aqueles que foram instruídos no “melhor” do arminianismo e do pentecostalismo. No entanto, não me convém modificar uma doutrina bíblica apenas pelo sabor que ela proporciona ao meu paladar. Nem os meus gostos, nem meus preconceitos ou mesmo a minha justiça humana pode definir uma doutrina bíblica. “À lei e ao testemunho!”. Sola Scriptura!
Reconheço que meu calvinismo carece de mais robustez. No entanto, o conhecimento que hoje tenho dele não traz mais nenhum sabor amargo. Graças ao “calvinismo” (leia-se: sistematização do evangelho de Jesus), pude finalmente descansar na graça de Deus. Não fiquei mais pecador por isso. Não evangelizo menos depois que entendi que a salvação está ligada a uma eleição feita na eternidade. Não oro menos depois que descobri que “estou salvo para sempre”. Antes, a segurança da salvação me faz imensamente grato, e é esta gratidão e amor que me oferecem combustível para uma vida de temor e piedade. Desde que atribuí toda a glória a Deus por minha salvação, não confiando mais na “obra do meu arbítrio”, passei a ser mais humilde, pois entendi que tudo, absolutamente tudo de bom, é um presente de Deus.
Entendo que Deus tem interesse que seus filhos conheçam a verdade sobre a sua salvação, e que por isso ele mesmo me guiou neste processo. E cada vez que alguém questiona: “Você é calvinista?”, respondo com alegria: “Sou calvinista, GRAÇAS A DEUS”. Sim, graças a Deus!
Soli Deo Gloria.
***
Piura, Verão de 2011
Série Antídoto: A cura para a igreja evangélica brasileira

O antídoto para a restauração da saúde da igreja brasileira é mais simples do que parece
Por Leonardo Gonçalves
Que a igreja brasileira não está vivendo o seu melhor momento, não é nenhuma novidade. Basta pesquisar a palavra “igreja” no Google para se dar conta do quanto a instituição carece de integridade e doutrinamento. No entanto, creio que apenas criticar os novos rumos do cristianismo tupiniquim, com seus pastores-apóstolos, profetas mercenários e pregadores cheios de estrelismo, não ajuda a resolver o problema. Obviamente, sei reconhecer o valor de uma crítica bem articulada, mas desprezo a atitude de quem somente destrói sem edificar nada no lugar, apenas pelo prazer de ver os escombros. A agressividade de quem só ataca sem oferecer uma resposta satisfatória à problemática eclesiástica e a hostilidade de quem aponta o problema, mas é incapaz de (tal como Neemias) ser a resposta ao próprio clamor é tão reprovável quanto a conduta dos mercadores da fé. Em síntese, tal atitude redunda em hipocrisia e grande desejo de aparecer às expensas daqueles que são objeto da sua fúria voraz.
Nesse ínterim, mentes esclarecidas argumentam contra o atual estado das coisas, mas na maioria dos casos, esquece-se de dizer como as coisas deveriam ser. Preocupam-se em execrar os farsantes, mas não indicam uma outra via, uma possível eleição. Deste modo, acaba-se promovendo uma generalização banal. A “apologética denuncista”, tão popular nos últimos anos, acaba fortalecendo o estereótipo latente no imaginário popular de que todo pastor é ladrão e que igreja evangélica é sinônimo de bandalheira.
Não quero assumir nenhuma postura messiânica. Não tenho o brilhantismo de Lutero, nem o zelo teológico de Calvino. Falta-me a coragem de John Huss e Wyclyffe, e sobra-me o pedantismo e a inconstância de Pedro. Sendo assim, ninguém mais improvável do que eu, para querer dogmatizar a apologética ou indicar a única via possível para a restauração da igreja evangélica neste país. Apesar disso, a paixão que tenho pela igreja, somada a pouca experiência de 10 anos como plantador de igreja, me conferem um pouco de autoridade para abordar este tema tão polemico. E visto que tenho falado sobre indicar o caminho sobre o qual a igreja evangélica brasileira deve trilhar para desenvolver-se de modo saudável, passarei a discorrer sobre aqueles tópicos que, a meu ver, deveriam ser tratados com mais responsabilidade pelos líderes eclesiásticos do nosso Brasil.
Primeiramente, a igreja brasileira precisa de pastores com vivencia apologética. Observe que não estou falando de pregação apologética, mas de vivencia apologética. Não creio que pregar contra a rosa milagrosa, o sabonete ungido e a fogueira santa seja mais necessário que a integridade ministerial. Já dizia um antigo pastor: “uma grama de testemunho vale mais que um quilo de pregação”. A crise da igreja evangélica brasileira não é apenas teológica; ela é moral. A própria teologia neopentecostal com sua ênfase na prosperidade adquirida através de vultosas ofertas nada mais é do que o reflexo do caráter hediondo dos seus arautos, verdadeiros estelionatários que já estariam atrás das grades, se este fosse um país sério. A vida do ministro sempre falará mais alto que seu sermão, razão pela qual sua vida, e não apenas o seu sermão, deve ter ênfase apologética. Pietismo, santidade, pudor, vergonha na cara, devem ser buscados mais do que as unções, os poderes, as línguas e as profecias.
Em segundo lugar, nossa liderança precisa ser mais tolerante com respeito à liturgia, adequando-se ao mundo contemporâneo. Precisamos deixar de perder tempo discutindo se podemos ou não dançar, se o rock é de Deus ou do diabo, se devemos ou não aplaudir, e concentrar-nos mais no evangelho de Jesus. Peço desculpas pelo tom de desprezo, mas sinceramente acho ridículas as discussões presbiterianas sobre “salmodia exclusiva”, e risível o argumento pentecostal de que a verdadeira musica sacra foi escrita há cem anos. Se temos como objetivo comunicar as verdades espirituais aos homens e mulheres do nosso tempo, precisamos de uma liturgia que se adapte as necessidades do mundo contemporâneo.
Logo, em terceiro lugar, penso que a igreja evangélica precisa de contextualização missionária. Isso decorre do segundo ponto: O povo brasileiro é ímpar por causa da sua diversidade cultural, e isso vai refletir na igreja. No entanto, a maioria dos pastores brasileiros parecem insensíveis a essa diversidade cultural, e acabam impondo a linguagem e os costumes do “gueto gospel” aos incrédulos. Dessa forma, criam uma geração de crentes estereotipados, meros papagaios de chavões de mau gosto: “Fala vaso!”, “Oh, varão, tem fogo aí?”, e outras fraseologias que são acessíveis apenas aos iniciados e que excluem a todos os demais. Precisamos de uma igreja cuja pregação se adapte a linguagem, contexto e necessidades do povo brasileiro.
Precisamos resgatar a pregação cristocentrica, a mensagem da justificação pela fé, e enfatizar estas verdades em todo tempo, pois elas são o cerne da teologia protestante. Nossas igrejas não possuem ênfase cristocentrica em seus ensinos. Aliás, para ser sincero, Cristo é um personagem coadjuvante nas pregações hodiernas. Fala-se muito sobre Davi, Sansão, Elias e Eliseu, profetas e reis do Antigo Testamento, mas muito pouco se fala sobre os méritos da cruz e sua aplicação na vida do crente. A justificação pela fé permanece apenas na qualidade de dogma, pois na prática o que vale mesmo é a teologia da barganha, da permuta, do “fiz por merecer”. A doutrina da justificação pela fé é o contraponto para refutar as heresias da prosperidade e a manipulação do sagrado, tão propaladas no meio pentecostal e mais recentemente pelos neopentecostais, sendo esta mais uma razão pela qual ela deve ser enfatizada.
Em quinto lugar, se queremos ser realmente bíblicos em nossa forma e próposito, precisamos elaborar uma eclesiologia menos centralizadora, que faça jus a doutrina protestante do sacerdócio de todos os crentes e introduza os leigos no ministério cristão, servindo com seus dons. Uma das maneiras de conseguir isso é através de pequenos grupos, reuniões caseiras, criando uma estrutura que promova a comunhão ao mesmo tempo em que permite que os crentes descubram seus talentos e ministrem a outros. Ao fazê-lo, estaremos permitindo que “a justa operação de cada parte produza o crescimento” (ênfase acrescentada).
Finalmente, creio que devemos ser sensíveis o suficiente para perceber até que ponto vale à pena lutar contra o sistema, e em que ponto é necessário abandonar o barco. Como disse no início deste texto, opor-se ao mercantilismo evangélico, as barganhas e vida pecaminosa dos líderes eclesiásticos, sem dispor o próprio coração para ser você mesmo a cura que a igreja precisa, nada mais é do que palavrório vão. As “igrejas S/A” tem ferido a milhares de pessoas, e é preciso que se levantem servos de Deus para apascentar, restaurar e re-orientar estas pessoas. Há uma grande necessidade de igrejas sadias no nosso país e eu oro para que alguns dos críticos de hoje ultrapassem a barreira da crítica pela crítica e se proponham a ser a mudança que a igreja precisa. Oro para que muitos dos que hoje acusam a igreja de tantos pecados, se disponham a ser, eles mesmos, os líderes que anelam ver.
É claro que há muitos outros aspectos em que a igreja brasileira pode e deve melhorar, mas creio que se conseguirmos aplicar estes, já teremos feito um grande progresso.
***
Leonardo Gonçalves ama a igreja e deseja amá-la cada vez mais. Sonha com uma igreja diferente e se dispôs a ser – ele mesmo – a resposta da sua oração. E você? Será que você está disposto a se transformar na igreja que você sonha ver? Está disposto a se transformar no líder ético e espiritual que você anela ter? #isso_é_reforma!
Rob Bell é Universalista?

Por Leonardo Gonçalves
Rob Bell, pastor da mega igreja Mars Hill Bible Church em Michigan (não confundir com a Mars Hill de Seatle, liderada por Mark Driscoll), um dos nomes mais importantes dentro do movimento de igrejas emergentes, teria escrito um livro no qual faz-se apologia ao universalismo, doutrina herética que afirma que todos os homens serão salvos, independente da sua relação com Cristo. Segundo essa concepção, o inferno simplesmente não tem sentido: Todos viverão para sempre com o Senhor Jesus no céu.
O livro que gerou toda essa polemica ainda não foi lançado no mercado. Por causa disso, muitos dos seus seguidores estão indignados com a postura “inquisidora” da liderança norteamericana, a qual tem batido forte nele este fim de semana. Embora nenhum dos algozes tenha lido o livro, todos tiveram acesso a uma propaganda promovida pela editora do Bell, que diz o seguinte:
Instantes após a propaganda surgir no twitter no dia 26 de fevereiro, vários representantes da teologia crista norteamericana se mostraram indignados e demonstraram seu repúdio a estranha doutrina através do Twitter, levando o pastor a aparecer nas TTs durante várias horas.
Veja a seguir alguns dos comentários:
“Adeus Rob Bell http://dsr.gd/fZqmd8” John Piper
(O link é de um artigo do Justin Taylor que questiona o universalismo do ícone emergente)
“O inferno não é mal. Enviar um homem inocente para morrer na cruz quando sequer existe um inferno, isso sim seria mal. Separada do inferno, a cruz não tem nenhum sentido” Matt Carter
“Não há amor em pregar um evangelho falso. Isso parte o meu coração. #orando por Rob Bell” Joshua Harris
“Voce merece o inferno. Tudo além disso é um presente” Mark Driscoll
Em seu artigo intitulado “Rob Bell, Universalist?”, Justin Taylor começa com uma citação do John Piper: “A má teologia desonra a Deus e destrói as pessoas. As igrejas que cortarem a raiz da verdade podem florescer por um tempo, mas logo murcham o se convertem em algo além de uma igreja crista”. Sem dúvida, uma frase contundente e profética. Sem a verdade como pressuposto principal, a igreja desmorona.
Só resta saber como vão reagir os engomadinhos relacionais quando souberem do desvio do nosso amigo estadunidense. Quem sabe, ao ver que o cara teve “coragem para por as cartas na mesa” (como disse Justin Taylor) e saiu do armário, eles também decidem sair do armário e confessar que toda essa pataquice relacional e inclusivista é apenas uma maneira de introduzir as bases de um universalismo cristão, propalado por um Deus que, sentindo-se culpado por perder o controle da história, pretende limpar toda sujeira cósmica que fez, ao permitir que pessoas não renascidas entrem no céu.
***
Postou Leonardo Gonçalves, aqui e no Púlpito Cristão
O livro que gerou toda essa polemica ainda não foi lançado no mercado. Por causa disso, muitos dos seus seguidores estão indignados com a postura “inquisidora” da liderança norteamericana, a qual tem batido forte nele este fim de semana. Embora nenhum dos algozes tenha lido o livro, todos tiveram acesso a uma propaganda promovida pela editora do Bell, que diz o seguinte:
"Agora, em “Love Wins: Céu, inferno e o destino de cada pessoa que já viveu”, Bell aborda um dos temas mais controversos da fé, e argumenta que um Deus amoroso nunca entregará as almas dos homens ao sofrimento eterno. Com uma visão apaixonante, Bell coloca o inferno á prova, e sua mensagem é verdadeiramente otimista: A vida eterna não começa quando morremos, mas agora, e em última instancia, o amor vencerá”
Instantes após a propaganda surgir no twitter no dia 26 de fevereiro, vários representantes da teologia crista norteamericana se mostraram indignados e demonstraram seu repúdio a estranha doutrina através do Twitter, levando o pastor a aparecer nas TTs durante várias horas.
Veja a seguir alguns dos comentários:
“Adeus Rob Bell http://dsr.gd/fZqmd8” John Piper
(O link é de um artigo do Justin Taylor que questiona o universalismo do ícone emergente)
“O inferno não é mal. Enviar um homem inocente para morrer na cruz quando sequer existe um inferno, isso sim seria mal. Separada do inferno, a cruz não tem nenhum sentido” Matt Carter
“Não há amor em pregar um evangelho falso. Isso parte o meu coração. #orando por Rob Bell” Joshua Harris
“Voce merece o inferno. Tudo além disso é um presente” Mark Driscoll
Em seu artigo intitulado “Rob Bell, Universalist?”, Justin Taylor começa com uma citação do John Piper: “A má teologia desonra a Deus e destrói as pessoas. As igrejas que cortarem a raiz da verdade podem florescer por um tempo, mas logo murcham o se convertem em algo além de uma igreja crista”. Sem dúvida, uma frase contundente e profética. Sem a verdade como pressuposto principal, a igreja desmorona.
Só resta saber como vão reagir os engomadinhos relacionais quando souberem do desvio do nosso amigo estadunidense. Quem sabe, ao ver que o cara teve “coragem para por as cartas na mesa” (como disse Justin Taylor) e saiu do armário, eles também decidem sair do armário e confessar que toda essa pataquice relacional e inclusivista é apenas uma maneira de introduzir as bases de um universalismo cristão, propalado por um Deus que, sentindo-se culpado por perder o controle da história, pretende limpar toda sujeira cósmica que fez, ao permitir que pessoas não renascidas entrem no céu.
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Postou Leonardo Gonçalves, aqui e no Púlpito Cristão
Ronaldo Lidório: Apóstolo brasileiro
Eu acredito em apóstolos. Ao contrário do que alguém pode pensar, sempre cri em apóstolos. Se cresse de outro modo, jamais teria deixado meu país aos 18 anos de idade para peregrinar entre povos e cidades da América Latina, sem promessas financeiras e, a princípio, sem nenhum envio formal, levando apenas a convicção do meu chamado.
É claro que não creio no moderno movimento apostólico, importado da teologia Mórmon e pregado pelos arautos oriundos da outra América, a “próspera”. Não creio em apóstolos canônicos, cuja Palavra seja autoritativa e inspirada no mesmo grau dos escritos de Paulo, Pedro e os demais escritores bíblicos. Também não creio em apóstolos que fundam igrejas fazendo divisões, que negociam “coberturas” a pastores caídos que foram excluídos de suas denominações, que pregam prosperidade fácil e são presos com dólares na bíblia ou na cueca. Estes eu não engulo!
Contudo, a existência do falso não anula o verdadeiro, antes, o confirma. E considerando o sentido etimológico da palavra apostolo (no grego, “enviado”), posso dizer que ainda existe tal ministério. “Ele mesmo deu uns para apóstolos...”
Diferente dos apóstolos modernos, os verdadeiros apóstolos contemporâneos são humildes, anônimos, e detestam holofotes. Muitos se consideram indignos do título, e preferem ser chamados de pastor ou de irmão. Agem assim porque sabem que o único título de que são dignos é o de “aprendiz de servo inútil”, pois não fizeram tudo o que lhes foi mandado.
Ronaldo Lidório é um líder que tem o dom de converter teologia em práxis, exatamente como deve ser. Ele é um daqueles pastores que enchem nosso coração de esperança, e nos fazem enxergar que a igreja de Cristo transcende aos escândalos, abusos e descalabros tão comuns na igreja contemporânea. Ele (presbiteriano) é a prova de que ser cheio do Espírito Santo não é falar em línguas desconexas pré-aprendidas, mas viver uma vida frutífera para a glória de Deus.
Lidório é o apóstolo Brasileiro. Suas credenciais apostólicas são os convertidos rebeirinhos do Brasil, Makandá e Labuer e mais de 40 pastores Konkombas. Sua carta de recomendação às igrejas? Seis mil convertidos entre aquela etnia.
Que a vida de Ronaldo e Rossana sirva de desafio para mais jovens serem missionários e lingüistas entre povos não-alcançados!
É claro que não creio no moderno movimento apostólico, importado da teologia Mórmon e pregado pelos arautos oriundos da outra América, a “próspera”. Não creio em apóstolos canônicos, cuja Palavra seja autoritativa e inspirada no mesmo grau dos escritos de Paulo, Pedro e os demais escritores bíblicos. Também não creio em apóstolos que fundam igrejas fazendo divisões, que negociam “coberturas” a pastores caídos que foram excluídos de suas denominações, que pregam prosperidade fácil e são presos com dólares na bíblia ou na cueca. Estes eu não engulo!
Contudo, a existência do falso não anula o verdadeiro, antes, o confirma. E considerando o sentido etimológico da palavra apostolo (no grego, “enviado”), posso dizer que ainda existe tal ministério. “Ele mesmo deu uns para apóstolos...”
Diferente dos apóstolos modernos, os verdadeiros apóstolos contemporâneos são humildes, anônimos, e detestam holofotes. Muitos se consideram indignos do título, e preferem ser chamados de pastor ou de irmão. Agem assim porque sabem que o único título de que são dignos é o de “aprendiz de servo inútil”, pois não fizeram tudo o que lhes foi mandado.
Ronaldo Lidório é um líder que tem o dom de converter teologia em práxis, exatamente como deve ser. Ele é um daqueles pastores que enchem nosso coração de esperança, e nos fazem enxergar que a igreja de Cristo transcende aos escândalos, abusos e descalabros tão comuns na igreja contemporânea. Ele (presbiteriano) é a prova de que ser cheio do Espírito Santo não é falar em línguas desconexas pré-aprendidas, mas viver uma vida frutífera para a glória de Deus.
Lidório é o apóstolo Brasileiro. Suas credenciais apostólicas são os convertidos rebeirinhos do Brasil, Makandá e Labuer e mais de 40 pastores Konkombas. Sua carta de recomendação às igrejas? Seis mil convertidos entre aquela etnia.
Que a vida de Ronaldo e Rossana sirva de desafio para mais jovens serem missionários e lingüistas entre povos não-alcançados!
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Não conheço Ronaldo pessoalmente e escrevi este texto sem consultá-lo. É bem provável que ele, ao tomar conhecimento da publicação, rejeite o título ou faça algumas ressalvas. Coisa de apóstolo... :)
Guardo nos olhos a simplicidade da minha terra
Alguns insights sobre a graça comum

Por Leonardo Gonçalves
Deus é um Ser de infinita graça e grandeza. Revela-se de modo suficiente nas Escrituras, mas sua essência é indizível. Transcendente, ele está além de toda descrição; sem, no entanto, perder sua imanência. Ele é "Totalmente Outro" ao mesmo tempo em que é "um como eu" pela revelação da kenósis; mistério assombroso da fé, que enche os corações de esperança e consolo.
Os reformados, ao apregoar suas doutrinas, falavam sobre uma Graça Irresistível, com a qual Deus nos apaixona e nos atrai a ele. Verdadeiramente, não existe apologia que refute a teologia empírica de um chamado irresistível. O que os teólogos do livre-arbítrio negam em teoria, o professam na prática, pois foram tão irresistivelmente atraídos que já não querem ir para longe de Deus.
No entanto, existe ainda uma manifestação mais sutil da Graça. Tal manifestação não é salvífica ou "soteriológica", mas divina no sentido em que reflete os atributos de Deus de um modo maravilhoso e suave, transborda o peito de alegria e torna a vida humana mais feliz. Tal manifestação graciosa pode ser percebida naquela medida de bondade concedida ao ser caído, capacitando-o a produzir beleza, arte, sons, e toda essa variedade que torna nossa existência mais feliz.
As vezes esta graça me sorri. É quando eu percebo com maior claridade que apesar de toda amargura e tristeza que envolve a vida humana decaída, e que mesmo após a entropia desencadeada pelo primeiro pecado, vale a pena continuar vivendo. O que seria da vida sem a beleza das flores, sem a água fresca da fonte, sem as belas canções, sem a variedade de sabores ao paladar e todas estas coisas que fazem nosso coração bater acelerado, e declaram aos nossos ouvidos as obras de Deus?
Louvo a Deus pela Graça Comum, pela poesia e pela luz, pelo aroma do café pela manhã e por estas duas lindas canções que me fazem lembrar da minha querida Minas Gerais. Clique no "play", espere carregar e desfrute!
Paz e bem!
***
Leonardo Gonçalves, com muita saudade da paisagem linda do interior do Brasil
Democracia, regimes ditatoriais e o governo eclesiástico
Um ensaio acerca da filosofia de ministério neoevangélica

Estudiosos dizem existir múltiplas formas de governo. No entanto, para fins práticos, eles acabam por desembocar em uma destas duas tendências: a democracia e a ditadura. O primeiro (em teoria) se dá com a participação do povo; o segundo, muitas vezes, sem ela. Na democracia, existe um incentivo ao pensamento gratuito e uma preocupação com a liberdade de exprimir estes pensamentos. Nos governos ditatoriais, existe a coibição das idéias opostas, e em nome dos “ideais” se assassina todos aqueles que possuem uma visão distinta.
Cuba se encaixa neste último perfil. Lá, idéias divergentes não são bem vindas. Somente crentes burgueses de classe média ou analfabetos sociais usam uma camisa vermelha do Che Guevara e acham que são evangélicos revolucionários. Nenhuma revolução que se dê por eliminação dos opostos e supressão da liberdade serve aos interesses do reino. Neste ponto, alguém certamente dirá: “Mas o que dizer das campanhas militares de Israel no AT, que ceifavam milhares de vidas?”. Da minha parte, nada respondo. Somente me assombro com o fato da igreja de Cristo, passados dois mil anos, não conseguir se desvencilhar destes rudimentos, insistindo em viver com um pé no monte Sinai!
Reconheço que governar não é uma tarefa fácil. Falar de democracia e aplicar esta filosofia de ministério às igrejas evangélicas pode parecer um surto neoliberal. Não obstante, as razoes pelas quais proponho esta analogia não são revolucionárias. São apenas sensatas.
Historicamente, há “razoes” (supostas, claro!) que justificam a forma autoritária com que muitos líderes regem suas denominações. A teocracia do Éden e a monarquia de Israel oferecem exemplos de governos centralizados e centralizadores. Em toda a história, Deus sempre levantou líderes e os investiu de poder, de modo que fossem representantes dele. Seus “ungidos”. Outro fator a considerar é que nem sempre o povo tem razão, e ceder aos seus caprichos às vezes equivale a se opor a Deus. Veja o que aconteceu com Israel no deserto: Moisés demorava lá no Sinai, e o povo teve uma “grande idéia”. Despojaram-se dos objetos de ouro e pediram a Arão que lhes fizesse um ídolo para adorar. Arão era o sacerdote, e como tal devia ter se oposto à maioria, mas acabou cedendo à pressão e confeccionando um ídolo, tal como acontece hoje na dita igreja evangélica que se adapta às demandas mercadológicas, ignorando as ordenes de Deus.
Se por um lado, nem sempre é útil dar voz ao povo, também devemos reconhecer que governos centralizados não são o único exemplo de liderança encontrados na bíblia. Veja o caso de Moisés, durante o êxodo. Liderar uma multidão de milhares não era uma tarefa fácil, e muitas pessoas não recebiam a atenção que necessitavam. O povo estava descontente, e Moisés se desgastava. Seu sogro veio visitá-lo e o aconselhou a delegar autoridade constituindo juízes que pudessem se ocupar das causas menores. O mesmo principio aparece no Novo Testamento. Nele, vemos uma igreja composta por múltiples ministérios, muitos presbíteros, diáconos que pudessem cuidar das questões materiais, mestres que zelassem pela doutrina da igreja, enfim, um sistema de governo compartilhado a fim de envolver o maior numera de pessoas no serviço cristão, edificando assim o corpo de Cristo.
Como evangélico, brasileiro e membro de uma igreja pentecostal, escutei inúmeras vezes que a Democracia não servia aos interesses de Deus. “Demo-cracia é o governo do demo!”, repetia um dos pastores que tive, aludindo a um governo que, segundo ele, velava pelos interesses do demônio. Na verdade aquele pastor, assim como muitos líderes de hoje, confundia democracia com anarquia. Era como se o governo democrático excluísse totalmente o papel do pastor e a sua influencia, quando na verdade ela apenas confirma a legitimidade do mesmo.
Insisto que não estou criando nenhuma novidade, e nem quero. Se uso palavras como “democracia” e “ditadura” é apenas para que este texto alcance o maior numero de pessoas (por isso, caro irmão “teólogo”, não se sinta ofendido e nem me chame de herege pelo fato de não utilizar seus jargões esquisitos como teonomia, teocracia, governo presbiteriano, congregacional ou ainda as formulações recentes e pós-modernas “eclesiologia líquida” e “igreja orgânica”. Poupe-me deste enfado!).
Continuando esta comparação, notamos que a democracia não é anarquia, mas seu oposto. Ela não exclui a liderança, mas a reconhece. Brasil e Estados Unidos são sistemas democráticos, e ambos possuem presidentes. Democracia não é um autogoverno. Sou radicalmente contra o “autogoverno” dos crentes, a filosofia de ministério que afirma que não precisamos de pastores e outros ministros e que cada crente é pastor de si. A experiência comprova que este autogoverno nada mais é do que um autoflagelo, pois deixa de reconhecer que nem todos os membros do corpo possuem a mesma função (1Co 12.29, Ef 4.11). No entanto, o despotismo presente nas igrejas pentecostais e neopentecostais, onde os pastores fazem o que desejam sem nunca ser contrariados é uma barreira para o desenvolvimento de um ministério saudável.
Governos democráticos não regem a si mesmos. Eles são regidos por uma constituição. O presidente, ao menos em tese, é aquele que deve cumprir e fazer cumprir os princípios da Carta Magna da sua nação. Os ministérios (defesa, economia, agricultura), desempenham seus múltiplos papéis, mas também são regidos e limitados pela Constituição. Por tanto, se existe uma força soberana em uma nação democraticamente governada, não é o povo, mas a Constituição Federal.
Do mesmo modo, entendo que é possível ter autoridade eclesiástica sem ser autoritário ou complacente. Isso acontece porque, embora amplamente abertos ao debate e contestação, nós também possuímos uma Carta Magna, uma “Constituição do Reino”, que deve reger a conduta e crença dos pastores, ministros e leigos, e que possui testemunho interno e externo de sua confiabilidade, sendo atestada e reconhecida como Palavra de Deus. Esta constituição não está sujeita a emendas, de modo que os ministros que desejam viver sob a égide do evangelho e apascentar o rebanho de Cristo devem cumprir e fazer cumprir esta Palavra, sob pena de anátema naquele dia em que os segredos do coração humano serão revelados.
Por isso, afirmo que a democracia não é inimiga da igreja e nem dos pastores. Ela não é um governo do “demo” como alguns querem sugerir, mas aquele que melhor rege o interesse da nação e dos que estão sobre o seu solo. Nela, o líder é supervisionado por toda nação e auxiliado por todos. No entanto, pesa sobre ele a autoridade de governante, não podendo ceder aos caprichos aqueles que não se submetem ao prelado da Constituição, do mesmo modo que o pastor não deve, à semelhança de Arão, ceder às vontades do grupo dissidente quando este se opõe à vontade de Deus revelada, com ingratidão, defraudando a Deus que os resgatou. Em casos assim, espera-se do líder que seja viril ao ponto de cumprir seu chamado e, se necessário for, se opor a tudo e a todos para fazer valer a vontade de Deus.
Quando o oposto acontece, isto é, quando é o líder quem se opõe claramente às verdades expressas nas Escrituras, convém que os ministérios tomem o “poder”, despojando o governante até que se levante outro que, com ética, respeito por Deus e sua Palavra, prometa conduzir o povo de modo fiel, honrando ao Sumo Legislador deste Reino, o nosso Soberano Senhor.
***
Leonardo Gonçalves é missionário, professor de teologia sistemática e blogueiro
Nota:
Embora este ensaio utilize uma analogia de governos seculares, as filosofias de ministério aqui defendidas são o Presbiteriano e Congregacional, ao mesmo tempo que rejeitamos à ideologia neopentecostal (centralizada, e “de cima para baixo”) e as cosmovisoes pós-modernas e/ou emergentes. As igrejas pentecostais em geral possuem, em teoria, um regime Congregacional, embora na prática o que se impõe como lei é a vontade do pastor presidente por cima da assembléia e dos ministros.

Por Leonardo Gonçalves
Estudiosos dizem existir múltiplas formas de governo. No entanto, para fins práticos, eles acabam por desembocar em uma destas duas tendências: a democracia e a ditadura. O primeiro (em teoria) se dá com a participação do povo; o segundo, muitas vezes, sem ela. Na democracia, existe um incentivo ao pensamento gratuito e uma preocupação com a liberdade de exprimir estes pensamentos. Nos governos ditatoriais, existe a coibição das idéias opostas, e em nome dos “ideais” se assassina todos aqueles que possuem uma visão distinta.
Cuba se encaixa neste último perfil. Lá, idéias divergentes não são bem vindas. Somente crentes burgueses de classe média ou analfabetos sociais usam uma camisa vermelha do Che Guevara e acham que são evangélicos revolucionários. Nenhuma revolução que se dê por eliminação dos opostos e supressão da liberdade serve aos interesses do reino. Neste ponto, alguém certamente dirá: “Mas o que dizer das campanhas militares de Israel no AT, que ceifavam milhares de vidas?”. Da minha parte, nada respondo. Somente me assombro com o fato da igreja de Cristo, passados dois mil anos, não conseguir se desvencilhar destes rudimentos, insistindo em viver com um pé no monte Sinai!
Reconheço que governar não é uma tarefa fácil. Falar de democracia e aplicar esta filosofia de ministério às igrejas evangélicas pode parecer um surto neoliberal. Não obstante, as razoes pelas quais proponho esta analogia não são revolucionárias. São apenas sensatas.
Historicamente, há “razoes” (supostas, claro!) que justificam a forma autoritária com que muitos líderes regem suas denominações. A teocracia do Éden e a monarquia de Israel oferecem exemplos de governos centralizados e centralizadores. Em toda a história, Deus sempre levantou líderes e os investiu de poder, de modo que fossem representantes dele. Seus “ungidos”. Outro fator a considerar é que nem sempre o povo tem razão, e ceder aos seus caprichos às vezes equivale a se opor a Deus. Veja o que aconteceu com Israel no deserto: Moisés demorava lá no Sinai, e o povo teve uma “grande idéia”. Despojaram-se dos objetos de ouro e pediram a Arão que lhes fizesse um ídolo para adorar. Arão era o sacerdote, e como tal devia ter se oposto à maioria, mas acabou cedendo à pressão e confeccionando um ídolo, tal como acontece hoje na dita igreja evangélica que se adapta às demandas mercadológicas, ignorando as ordenes de Deus.
Se por um lado, nem sempre é útil dar voz ao povo, também devemos reconhecer que governos centralizados não são o único exemplo de liderança encontrados na bíblia. Veja o caso de Moisés, durante o êxodo. Liderar uma multidão de milhares não era uma tarefa fácil, e muitas pessoas não recebiam a atenção que necessitavam. O povo estava descontente, e Moisés se desgastava. Seu sogro veio visitá-lo e o aconselhou a delegar autoridade constituindo juízes que pudessem se ocupar das causas menores. O mesmo principio aparece no Novo Testamento. Nele, vemos uma igreja composta por múltiples ministérios, muitos presbíteros, diáconos que pudessem cuidar das questões materiais, mestres que zelassem pela doutrina da igreja, enfim, um sistema de governo compartilhado a fim de envolver o maior numera de pessoas no serviço cristão, edificando assim o corpo de Cristo.
Como evangélico, brasileiro e membro de uma igreja pentecostal, escutei inúmeras vezes que a Democracia não servia aos interesses de Deus. “Demo-cracia é o governo do demo!”, repetia um dos pastores que tive, aludindo a um governo que, segundo ele, velava pelos interesses do demônio. Na verdade aquele pastor, assim como muitos líderes de hoje, confundia democracia com anarquia. Era como se o governo democrático excluísse totalmente o papel do pastor e a sua influencia, quando na verdade ela apenas confirma a legitimidade do mesmo.
Insisto que não estou criando nenhuma novidade, e nem quero. Se uso palavras como “democracia” e “ditadura” é apenas para que este texto alcance o maior numero de pessoas (por isso, caro irmão “teólogo”, não se sinta ofendido e nem me chame de herege pelo fato de não utilizar seus jargões esquisitos como teonomia, teocracia, governo presbiteriano, congregacional ou ainda as formulações recentes e pós-modernas “eclesiologia líquida” e “igreja orgânica”. Poupe-me deste enfado!).
Continuando esta comparação, notamos que a democracia não é anarquia, mas seu oposto. Ela não exclui a liderança, mas a reconhece. Brasil e Estados Unidos são sistemas democráticos, e ambos possuem presidentes. Democracia não é um autogoverno. Sou radicalmente contra o “autogoverno” dos crentes, a filosofia de ministério que afirma que não precisamos de pastores e outros ministros e que cada crente é pastor de si. A experiência comprova que este autogoverno nada mais é do que um autoflagelo, pois deixa de reconhecer que nem todos os membros do corpo possuem a mesma função (1Co 12.29, Ef 4.11). No entanto, o despotismo presente nas igrejas pentecostais e neopentecostais, onde os pastores fazem o que desejam sem nunca ser contrariados é uma barreira para o desenvolvimento de um ministério saudável.
Governos democráticos não regem a si mesmos. Eles são regidos por uma constituição. O presidente, ao menos em tese, é aquele que deve cumprir e fazer cumprir os princípios da Carta Magna da sua nação. Os ministérios (defesa, economia, agricultura), desempenham seus múltiplos papéis, mas também são regidos e limitados pela Constituição. Por tanto, se existe uma força soberana em uma nação democraticamente governada, não é o povo, mas a Constituição Federal.
Do mesmo modo, entendo que é possível ter autoridade eclesiástica sem ser autoritário ou complacente. Isso acontece porque, embora amplamente abertos ao debate e contestação, nós também possuímos uma Carta Magna, uma “Constituição do Reino”, que deve reger a conduta e crença dos pastores, ministros e leigos, e que possui testemunho interno e externo de sua confiabilidade, sendo atestada e reconhecida como Palavra de Deus. Esta constituição não está sujeita a emendas, de modo que os ministros que desejam viver sob a égide do evangelho e apascentar o rebanho de Cristo devem cumprir e fazer cumprir esta Palavra, sob pena de anátema naquele dia em que os segredos do coração humano serão revelados.
Por isso, afirmo que a democracia não é inimiga da igreja e nem dos pastores. Ela não é um governo do “demo” como alguns querem sugerir, mas aquele que melhor rege o interesse da nação e dos que estão sobre o seu solo. Nela, o líder é supervisionado por toda nação e auxiliado por todos. No entanto, pesa sobre ele a autoridade de governante, não podendo ceder aos caprichos aqueles que não se submetem ao prelado da Constituição, do mesmo modo que o pastor não deve, à semelhança de Arão, ceder às vontades do grupo dissidente quando este se opõe à vontade de Deus revelada, com ingratidão, defraudando a Deus que os resgatou. Em casos assim, espera-se do líder que seja viril ao ponto de cumprir seu chamado e, se necessário for, se opor a tudo e a todos para fazer valer a vontade de Deus.
Quando o oposto acontece, isto é, quando é o líder quem se opõe claramente às verdades expressas nas Escrituras, convém que os ministérios tomem o “poder”, despojando o governante até que se levante outro que, com ética, respeito por Deus e sua Palavra, prometa conduzir o povo de modo fiel, honrando ao Sumo Legislador deste Reino, o nosso Soberano Senhor.
***
Leonardo Gonçalves é missionário, professor de teologia sistemática e blogueiro
Nota:
Embora este ensaio utilize uma analogia de governos seculares, as filosofias de ministério aqui defendidas são o Presbiteriano e Congregacional, ao mesmo tempo que rejeitamos à ideologia neopentecostal (centralizada, e “de cima para baixo”) e as cosmovisoes pós-modernas e/ou emergentes. As igrejas pentecostais em geral possuem, em teoria, um regime Congregacional, embora na prática o que se impõe como lei é a vontade do pastor presidente por cima da assembléia e dos ministros.
Rir com quem ri... chorar com quem chora

Por Leonardo Gonçalves
Sábado Carlos casou. Não oficiei a cerimonia, mas foi quase isso. "Preguei" na boda, e me alegrei com eles.
Ontem Elias morreu. Ele tinha dois anos; a mesma idade do Ravi. Os pais dele tem a mesma idade que eu e Jonara. Estive com eles ontem e hoje, e acabo de chegar do cemiterio, onde preguei o sermão mais difícil da minha vida.
Tentei não chorar, mas lembrei da exortação biblica para se alegrar com quem se alegra e chorar com quem chora. Havia aprendido que o oficiante não deve se emocionar ou chorar, mas pensei que se fosse comigo, eu gostaria muito que meu pastor chorasse tambem, demonstrando se importar com a minha dor. Se Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, por que razão eu não tenho direito de me comover pela morte de Elias? Não, eu não sou "mais homem" que Jesus, por isso permiti que as lgrimas rolassem por um momento.
Ontem, 30 de agosto, completou um ano que meu avô morreu. Não pude estar lá para confortar meu pai, mas hoje confortei alguém que até bem pouco tempo atrás não conhecia.
Uma vez alguém me perguntou o que é ser pastor. Na época, não soube responder. Se hoje me fizessem a mesma pergunta, eu diria que é "rir com quem ri e chorar com quem chora", o que síntese, é bem mais simples do que me ensinaram no seminário. Mas, ao mesmo tempo é tão complicado!
Que Deus ajude os pais do pequeno Elias. E que ele me ajude também.
Ontem Elias morreu. Ele tinha dois anos; a mesma idade do Ravi. Os pais dele tem a mesma idade que eu e Jonara. Estive com eles ontem e hoje, e acabo de chegar do cemiterio, onde preguei o sermão mais difícil da minha vida.
Tentei não chorar, mas lembrei da exortação biblica para se alegrar com quem se alegra e chorar com quem chora. Havia aprendido que o oficiante não deve se emocionar ou chorar, mas pensei que se fosse comigo, eu gostaria muito que meu pastor chorasse tambem, demonstrando se importar com a minha dor. Se Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, por que razão eu não tenho direito de me comover pela morte de Elias? Não, eu não sou "mais homem" que Jesus, por isso permiti que as lgrimas rolassem por um momento.
Ontem, 30 de agosto, completou um ano que meu avô morreu. Não pude estar lá para confortar meu pai, mas hoje confortei alguém que até bem pouco tempo atrás não conhecia.
Uma vez alguém me perguntou o que é ser pastor. Na época, não soube responder. Se hoje me fizessem a mesma pergunta, eu diria que é "rir com quem ri e chorar com quem chora", o que síntese, é bem mais simples do que me ensinaram no seminário. Mas, ao mesmo tempo é tão complicado!
Que Deus ajude os pais do pequeno Elias. E que ele me ajude também.
Edir Macedo defende ABORTO como forma de planejamento familiar

Por Leonardo Gonçalves
Assista o vídeo abaixo e veja a declaraçao do bispo da seita Universal:
Segundo o poeta bíblico, é Deus que tece o ser humano no ventre materno (Sl 139.13-16). Quem ousará interromper sua obra? A razão bíblica defende a vida em todas as suas formas e fases. Se nossa civilização acorda para a questão ambiental e esforços são feitos para a defesa de peixes, animais e florestas em extinção, quanto mais a espécie humana merece igual dignidade e proteção! Que loucura é esta, reduzir o humano a um mero aglomerado de células sujeito ao capricho humoral de alguém? [1]
Todo ser humano tem o direito a vida. Esse direito é garantido pela Constituição Federal em seu artigo 5º, e também por tratados e acordos internacionais, entre eles o Pacto de São José da Costa Rica, assinado também pelo Brasil, que em seu artigo 4º, reza que “toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. Concepção é, biologicamente, aquele momento em que um espermatozóide penetra no óvulo gerando vida, e não apenas o momento do nascimento.
Aqueles que se posicionam à favor do aborto costumam dizer que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo. Há algum tempo atrás havia uma propaganda pró-aborto na emissora de Edir Macedo, na qual uma jovem falava acerca dos seus direitos constitucionais (trabalho e voto, entre outros) enquanto reclamava do suposto direito sobre o seu próprio corpo que lhe fora vedado, referindo-se ao poder de decidir abortar ou não. Ora, se considerarmos a criança no ventre não como uma pessoa individual, mas como um mero apêndice ou um tecido desnecessário, então esse argumento à favor do aborto será convincente. Mas, se consideramos a criança não-nascida como uma pessoa, então esse argumento se converte em um apelo emocional sem nenhuma base racional.
Mesmo quando a sociedade nos pressiona, trazendo à tona e com mais força as discussões acerca do aborto, nós cristãos devemos permanecer alicerçados nos pressupostos sagrados endossados pelo Criador e Dono de toda vida. Ora, se até a ciência genética tem declarado que a vida começa no instante da concepção e que todas as características de um ser humano individual estão presentes no feto, que razão temos nós, além das nossas próprias emoções afloradas, para justificar o aborto, qualquer que seja o caso?
Por tudo isso, é com grande pesar e indignação que recebo a declaração do bispo da IURD. Ao defender o aborto como forma de planejamento familiar, Macedo coloca a prática no mesmo nível do uso de preservativo ou da pílula anticoncepcional. Este é, em realidade, o argumento mais horrendo e cruel que já ouvi. Já vi pessoas defenderem o aborto em caso de estupro e em casos em que a gestação oferece risco para a mãe, como no caso da menina violada pelo padrasto em 2009, mas nunca ouvi, nem mesmo da boca de um incrédulo ateu, uma defesa que tivesse como base o planejamento e controle de natalidade.
Após este episódio, Edir Macedo acaba de ser promovido. Ele já não é simplesmente um falso profeta, mas também um inimigo da vida e tudo o que ela representa.
***
Nota:
1. O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz sobre o aborto? [disponível aqui]
Todo ser humano tem o direito a vida. Esse direito é garantido pela Constituição Federal em seu artigo 5º, e também por tratados e acordos internacionais, entre eles o Pacto de São José da Costa Rica, assinado também pelo Brasil, que em seu artigo 4º, reza que “toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. Concepção é, biologicamente, aquele momento em que um espermatozóide penetra no óvulo gerando vida, e não apenas o momento do nascimento.
Aqueles que se posicionam à favor do aborto costumam dizer que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo. Há algum tempo atrás havia uma propaganda pró-aborto na emissora de Edir Macedo, na qual uma jovem falava acerca dos seus direitos constitucionais (trabalho e voto, entre outros) enquanto reclamava do suposto direito sobre o seu próprio corpo que lhe fora vedado, referindo-se ao poder de decidir abortar ou não. Ora, se considerarmos a criança no ventre não como uma pessoa individual, mas como um mero apêndice ou um tecido desnecessário, então esse argumento à favor do aborto será convincente. Mas, se consideramos a criança não-nascida como uma pessoa, então esse argumento se converte em um apelo emocional sem nenhuma base racional.
Mesmo quando a sociedade nos pressiona, trazendo à tona e com mais força as discussões acerca do aborto, nós cristãos devemos permanecer alicerçados nos pressupostos sagrados endossados pelo Criador e Dono de toda vida. Ora, se até a ciência genética tem declarado que a vida começa no instante da concepção e que todas as características de um ser humano individual estão presentes no feto, que razão temos nós, além das nossas próprias emoções afloradas, para justificar o aborto, qualquer que seja o caso?
Por tudo isso, é com grande pesar e indignação que recebo a declaração do bispo da IURD. Ao defender o aborto como forma de planejamento familiar, Macedo coloca a prática no mesmo nível do uso de preservativo ou da pílula anticoncepcional. Este é, em realidade, o argumento mais horrendo e cruel que já ouvi. Já vi pessoas defenderem o aborto em caso de estupro e em casos em que a gestação oferece risco para a mãe, como no caso da menina violada pelo padrasto em 2009, mas nunca ouvi, nem mesmo da boca de um incrédulo ateu, uma defesa que tivesse como base o planejamento e controle de natalidade.
Após este episódio, Edir Macedo acaba de ser promovido. Ele já não é simplesmente um falso profeta, mas também um inimigo da vida e tudo o que ela representa.
***
Nota:
1. O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz sobre o aborto? [disponível aqui]
Uma parábola calvinista

Suponha que vocês estão em uma prisão condenados eternamente pelos seus atos e transgressões e não há ninguém que queira pagar a fiança.
Então aparece um Homem e diz: Quero pagar a fiança destes homens!
O delegado pergunta: De todos eles?
O Homem diz: Não! Só daqueles três homens ali no canto.
Delegado: Então você não pode pagar por todos?
Homem: Posso pagar por todos, mas só quero estes.
Delegado: E vai condenar os outros a prisão eterna?
Homem: Eles apenas receberão o pagamento pelo seu pecado.
Delegado: Você é injusto!
Homem: Injusto, eu? Só haveria justiça se salvasse a todos? Não os coloquei ai, eles que se colocaram neste estado, disse que se me desobedecessem iriam parar na prisão, mas deram ouvidos a um mentiroso que andava na fazenda e me desobedeceram. Deixando-os ai mostro minha justiça, pois pagarão pelos próprios atos, e com estes três mostro minha misericórdia, pois os livrarei do cárcere.
Delegado: Mas porque só estes três?
Homem: Porque eu os quero, escolhi para mim, construi uma nova fazenda e quero levá-los comigo.
Delegado: Mas estes pecaram como os outros, o que eles fizeram para merecer isto?
Homem: Nada! Decerto que merecem a prisão, mas o que tem você se eu que sou misericordioso quero levá-los.
Delegado: Se fosse misericordioso levaria todos, não?
Homem: Não! Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
Delegado: Mas o preço é alto e até hoje ninguém pôde pagar.
Homem: Eu pago com minha vida.
Delegado: Ok! Vou tirar os três.
Homem: Não! As chaves da prisão são minhas, tiro quem eu quiser. E em verdade te digo que os que eu escolher Jamais voltarão à prisão, pois o valor está quitado.
O Homem então chega à cela, abre e tira três homens que já havia escolhido. Então um dos que ficaram pega em seu braço e diz: Senhor! Senhor! Em tua fazenda trabalhamos e fizemos o que disseste e agora nos deixa na prisão? Então o Homem fala:
Então aparece um Homem e diz: Quero pagar a fiança destes homens!
O delegado pergunta: De todos eles?
O Homem diz: Não! Só daqueles três homens ali no canto.
Delegado: Então você não pode pagar por todos?
Homem: Posso pagar por todos, mas só quero estes.
Delegado: E vai condenar os outros a prisão eterna?
Homem: Eles apenas receberão o pagamento pelo seu pecado.
Delegado: Você é injusto!
Homem: Injusto, eu? Só haveria justiça se salvasse a todos? Não os coloquei ai, eles que se colocaram neste estado, disse que se me desobedecessem iriam parar na prisão, mas deram ouvidos a um mentiroso que andava na fazenda e me desobedeceram. Deixando-os ai mostro minha justiça, pois pagarão pelos próprios atos, e com estes três mostro minha misericórdia, pois os livrarei do cárcere.
Delegado: Mas porque só estes três?
Homem: Porque eu os quero, escolhi para mim, construi uma nova fazenda e quero levá-los comigo.
Delegado: Mas estes pecaram como os outros, o que eles fizeram para merecer isto?
Homem: Nada! Decerto que merecem a prisão, mas o que tem você se eu que sou misericordioso quero levá-los.
Delegado: Se fosse misericordioso levaria todos, não?
Homem: Não! Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
Delegado: Mas o preço é alto e até hoje ninguém pôde pagar.
Homem: Eu pago com minha vida.
Delegado: Ok! Vou tirar os três.
Homem: Não! As chaves da prisão são minhas, tiro quem eu quiser. E em verdade te digo que os que eu escolher Jamais voltarão à prisão, pois o valor está quitado.
O Homem então chega à cela, abre e tira três homens que já havia escolhido. Então um dos que ficaram pega em seu braço e diz: Senhor! Senhor! Em tua fazenda trabalhamos e fizemos o que disseste e agora nos deixa na prisão? Então o Homem fala:
“Apartai-vos de mim praticantes de iniqüidade, nunca vos conheci. Estão ai pelos seus atos não pelos meus.”
***
À todos aqueles que ainda afirmam a Soberania de Deus nestes dias de cristianismo antropocêntrico.
A vida é erva: A vaidade do que se tem e a fragilidade do que se é

Por Leonardo Gonçalves
Anteontem passamos um bocado de susto. Já estava deitado quando Jonara e eu escutamos um barulho que até parecia uma orquestra de vuvuzelas. Olhei para a TV e vi que estava balançando. A cama tremia com força, mas eu não queria aceitar o que estava acontecendo. Fiquei sem ação, me distraí, mas fui desperto quando Jonara gritou: “terremoto!” Sai correndo, procurando a chave para abrir a porta, seguido por Jonara e Ravi. Os vizinhos já estavam na rua quando consegui sair da casa, e o chão ainda tremia. Felizmente, não foi nada grave: apenas 5,5 na escala Richter, com epicentro em Olmos, a alguns quilômetros daqui. Porém, as pessoas andam preocupadas, pois com este já vão cinco pequenos sismos consecutivos (12, 13, 14, 15 e 16 de agosto).
Moramos na mesma rua ha algum tempo, e não conhecia alguns dos meus vizinhos. Com outros, jamais havíamos trocado palavras, e nem mesmo eles conversavam entre si, mas naquela noite todos conversávamos como se fossemos velhos amigos. O sofrimento une. Já a prosperidade as vezes separa. É nas tragédias da vida que percebemos que somos todos iguais: O que acontece com o rico, acontece igualmente com o pobre.
Voltamos para casa. Jonara e Ravi dormiram logo, mas eu fiquei acordado pensando acerca da vida, perguntando a mim mesmo: “E se tivesse sido mais forte?”. Sim, e se tivesse sido um terremoto intenso? E se a casa desabasse em cima da gente? E se a gente perdesse tudo? (que é o pouco que temos). Em todo tempo ecoava em minha mente as palavras do sábio Salomão: “Vaidade de vaidades. Tudo é vaidade!”.
Lembrei que havia comprado um terno que gostei muito (e isso quase um milagre, pois eu detesto usar terno). Acontece que um irmão da nossa igreja vai casar e não dá pra discursar em uma boda com o mesmo jeans surrado com que vou na igreja todas as semanas. Dois dias atrás eu estava todo vaidoso, desfilando com o terno pela casa, experimentando a gravata nova e dizendo para a Jonara: “Olha como eu estou com cara de pastor!”, e ríamos. Lembrei também do quanto foi difícil conseguir a mobília básica da nossa casa. Vendemos todos nossos móveis antes de vir para cá, e o dinheiro não deu pra comprar muita coisa. Só agora, depois de três anos lutando, foi que conseguimos ter umas coisinhas bem básicas.
Concluí que realmente não existe nenhuma segurança de que o que temos é nosso, ou que será para sempre. De uma hora para outra, em questão de minutos você pode perder tudo.
Pensei na viagem do pastor Renato ao Haiti, e do avivamento que a igreja evangélica vive ali. Renato me disse que teve que dormir na rua, e que mesmo tendo dinheiro não dava para comprar pão. No entanto, os crentes não reclamavam e todos pareciam muito satisfeitos com Deus. Foi então que olhei para dentro de mim e descobri que apesar do susto, minha alma também estava avivada. Agora não estou teologizando, pensei. E emendei: “A vida é mesmo erva”.
“Vaidade de vaidades”, diz o pregador. Tolo é o homem que confia nas riquezas, pois elas também são vãs.
Situações como estas são reveladoras. Nelas, entendemos que nada temos além de Deus, que o que possuímos é dEle, e o que somos, é por causa dEle. E, ao assumimos que nada temos além de Cristo, somos tomados por um gozo indizível; inefável. Faltam palavras, eu sei, mas o gozo é real.
Naquela noite, falei com Deus. Não lembro exatamente das palavras que usei, mas lembro que agradeci pela vida, e por me fazer entender que ter Deus é mais importante que qualquer coisa que a gente possa desejar na vida.
A graça dele é suficiente!
***
Leonardo Gonçalves é missionário em Piura, Peru.

Moramos na mesma rua ha algum tempo, e não conhecia alguns dos meus vizinhos. Com outros, jamais havíamos trocado palavras, e nem mesmo eles conversavam entre si, mas naquela noite todos conversávamos como se fossemos velhos amigos. O sofrimento une. Já a prosperidade as vezes separa. É nas tragédias da vida que percebemos que somos todos iguais: O que acontece com o rico, acontece igualmente com o pobre.
Voltamos para casa. Jonara e Ravi dormiram logo, mas eu fiquei acordado pensando acerca da vida, perguntando a mim mesmo: “E se tivesse sido mais forte?”. Sim, e se tivesse sido um terremoto intenso? E se a casa desabasse em cima da gente? E se a gente perdesse tudo? (que é o pouco que temos). Em todo tempo ecoava em minha mente as palavras do sábio Salomão: “Vaidade de vaidades. Tudo é vaidade!”.
Lembrei que havia comprado um terno que gostei muito (e isso quase um milagre, pois eu detesto usar terno). Acontece que um irmão da nossa igreja vai casar e não dá pra discursar em uma boda com o mesmo jeans surrado com que vou na igreja todas as semanas. Dois dias atrás eu estava todo vaidoso, desfilando com o terno pela casa, experimentando a gravata nova e dizendo para a Jonara: “Olha como eu estou com cara de pastor!”, e ríamos. Lembrei também do quanto foi difícil conseguir a mobília básica da nossa casa. Vendemos todos nossos móveis antes de vir para cá, e o dinheiro não deu pra comprar muita coisa. Só agora, depois de três anos lutando, foi que conseguimos ter umas coisinhas bem básicas.
Concluí que realmente não existe nenhuma segurança de que o que temos é nosso, ou que será para sempre. De uma hora para outra, em questão de minutos você pode perder tudo.
Pensei na viagem do pastor Renato ao Haiti, e do avivamento que a igreja evangélica vive ali. Renato me disse que teve que dormir na rua, e que mesmo tendo dinheiro não dava para comprar pão. No entanto, os crentes não reclamavam e todos pareciam muito satisfeitos com Deus. Foi então que olhei para dentro de mim e descobri que apesar do susto, minha alma também estava avivada. Agora não estou teologizando, pensei. E emendei: “A vida é mesmo erva”.
“Vaidade de vaidades”, diz o pregador. Tolo é o homem que confia nas riquezas, pois elas também são vãs.
Situações como estas são reveladoras. Nelas, entendemos que nada temos além de Deus, que o que possuímos é dEle, e o que somos, é por causa dEle. E, ao assumimos que nada temos além de Cristo, somos tomados por um gozo indizível; inefável. Faltam palavras, eu sei, mas o gozo é real.
Naquela noite, falei com Deus. Não lembro exatamente das palavras que usei, mas lembro que agradeci pela vida, e por me fazer entender que ter Deus é mais importante que qualquer coisa que a gente possa desejar na vida.
A graça dele é suficiente!
***
Leonardo Gonçalves é missionário em Piura, Peru.
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Por uma teologia apologética brasileira

Por Leonardo Gonçalves
A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.
Uma das razoes porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influencia sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.
A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.
A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não crêem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristas, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.
Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.
***
Leonardo Gonçalves é pastor, missionário, editor deste blog e articulista na revista Apologética Cristã
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Apologética, Liberalismo, Teísmo Aberto, Teologia, Teologia Relacional
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14 agosto 2010
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Teologia do Deus imperfeito, de Ed René, Ricardo Gondim e Elienai Cabral Jr
DEUS DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?[..] Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.
(Elienai Cabral Jr.)
Existe neste país uma nova tendência teológica. Nada de novo, confesso, apenas mais do mesmo, importado e requentado no microondas da filosofia pós-modernista. Existencialistas de verve trágica, mais amigos de Sartre e Nietzsche do que Jesus de Nazaré, os novos teólogos brasileiros falam de teologia de modo muito apaixonado, mas parecem definitavemte ter saído dos trilhos. Afim de contextualizar com a geração emergente, estes pensadores repaginaram a fé, dando a ela um toque de relativismo e mística medieval, criando assim uma "outra espiritualidade", bem nos moldes daquela que Paulo condenou em Gálatas 1.8.
Bastante sutis, os arautos deste novo cristianismo conseguem cativar as mentes daqueles que estão enfadados com a igreja, e entre eles fazem escola. Na vanguarda da denúncia, os profetas da burguesia vão destilando toda sorte de impropérios contra os pregadores de prosperidade, carros e mansoes, e assim ganhando a simpatia daqueles que noutro tempo padeceram debaixo das garras malignas dos marajás do evangelho. Enquanto isso, tais como serpentes traiçoeiras, vão minando a base do cristianismo histórico, e roubando a glória e majestade que a Deus pertencem. No lugar do Onipotente, apresentam um deus fraquinho, raquítico. Um Deus imperfeito, ao invés daquele cuja essência é a perfeiçao. Definitivamente, uma outra espiritualidade.
No texto de Elienai Cabral, vemos o retrato de um Deus impotente, medíocre e pequeno. Em tese, o autor apresenta uma divindade oca, desprovida de glória e poder, constantemente desafiado por suas descapacidades e imperfeiçoes.
Negando a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a presciência dos fatos e a onipotência divina, a teologia dos "novos evangélicos" Ricardo Gondim, Ed René Kvitz e Elienai Cabral, simplesmente tiram Deus do cenário e introduz um ‘deus’ trapalhão e afeminado em seu lugar.
Não nego que os ensaios espiritualistas como este de Elienai podem parecer poeticamente atrativos, mas as heresias que recheiam suas linhas são extremamente nocivas, e precisam ser combatidas. Como calar-me diante de tamanha afronta? Não é a mim que eles diminuem e desprezam com seus conceitos relacionais, mas ao Soberano Senhor cuja glória enche a Terra. É o Deus vivo que está sendo reduzido, relativizado e transformado em um fracote que carece de tomar Biotônico Fontoura. Pobre deus; mal pode consigo mesmo!
Acerca dessa falsa teologia, Tomas C. Oden, em uma edição da revista americana Chistianity Today, declara:
“Conceber tal fantasia (um Deus finito e mutável) é incorrer em uma espécie de engano teológico cuja sutileza é maior do que se pode imaginar no que tange às explicações e conseqüências que tal conceito impõe à fé cristã”
Ora, meu amigo, o Deus da bíblia em nada se compara a essa pseudo-divindade humanista, e com o perdão da palavra, um deuzinho chulé, feito sob medida para filósofo ateu. O Deus bíblico é despótico, soberano, onipotente, onisciente, cheio de glória. Ele também é criador, sustentador, provedor e governador deste universo, e nenhuma coisa escapa ao seu absoluto controle; nem mesmo aquelas que as vezes não entendemos. Ele não se abriu a nenhum futuro desconhecido: Ele sabe o fim desde o começo e executa a sua vontade!
Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. - Isaías 46.9-10
Louvado seja Cristo, o kyrios despotes – Soberano Senhor – aquele cujos projetos não falham, que vela pela sua palavra para que se cumpra. Este sim, é digno de toda honra e louvor. Um Deus em quem a gente pode confiar.
Homenagem de dia dos pais

Por Leonardo Gonçalves
Não tenho experiência nisso. Até achava que tinha, pois quando fui para as missões, ainda com 18 anos e bem “verde” na fé, comecei a ganhar algumas almas, que eu chamava de filhos espirituais. Com o tempo, quando questionado por um crente pelo fato de ser um jovem sem filhos aconselhando famílias e abordando temas de pais e filhos, eu dizia: “todos vocês são meus filhos; como não posso falar com vocês sobre como criar filhos?” Gente, vocês nem imaginam o hilário que eu era! Até parecia o Estevam Hernandes: “Vai ter que me chamar de pai sim!” (risos). Quanta ingenuidade! E que mania besta de esconder a própria ignorância. Mas a vida quebra a gente, e através das depressões do caminho, Deus vai nos modelando e ensinando a ser mais servos dEle e menos senhores de si.
Sou marinheiro de primeira viagem, e meu moleque só tem 2 anos. Mesmo assim, já vi o suficiente para dizer que ser pai é uma das coisas mais maravilhosas que a gente pode experimentar nessa vida. Certamente há problemas, doenças, e umas situações estranhas que a gente as vezes não sabe como lidar. E ainda dizem que filho criado é trabalho dobrado, e eu oro a Deus para o Ravi não ser a metade do adolescente rebelde que eu fui, porque senão vou ficar careca e ranzinza bem antes dos quarenta. Aliás, ranzinza eu já estou!
Ontem meu garoto ficou doente. Anteontem também ficou. Garganta infeccionada, não quis saber de comer, e todo remédio que tomava, vomitava. Dá muita pena ver o filho da gente assim. Orei uma e outra vez, mas estava tão preocupado que, para ser franco, nem lembro o que foi que eu disse para Deus. Hoje ele amanheceu queimando em febre. Foi então que abracei ele e disse a Deus: “Meu filho está doente e o Senhor pode curá-lo, mas o Senhor só vai fazer isso se quiser, então, que seja feita a Tua vontade. Se ele for curado aqui eu direi obrigado; se eu tiver que levá-lo no hospital, eu te amarei do mesmo modo. Tudo o que eu quero é que o Senhor seja glorificado em nossas vidas. Amém”, e dali parti para o hospital. É o preço que eu pago por não ter comprado a toalhinha milagrenta do Valdemiro Santiago que eu vi à venda por cinqüenta reais quando fui ao Brasil no ano passado (risos).
Enquanto escrevo este texto, ouço a Jonara e o Ravi brincando. Ela está desenhando e ele está tentando adivinhar o que é. E eu, com os olhos marejados, fico aqui imaginando como é ser Deus. Se for verdade que ser Deus é ser pai – e eu sei que é – então posso estar seguro que ele jamais medirá esforços para me ajudar e me proteger, assim como eu faço com o Ravi. Obviamente isso não significa que nao passarei por algumas situações pesarosas nas quais terei que fazer a vontade dele ao invés da minha, o que é mais ou menos como quando eu falo grosso com o Ravi e o obrigo a comer toda a verdura do prato. E sei também que essas são coisas que ele não entende agora, mas que um dia vai entender e ainda vai me agradecer, exatamente como acontece com a gente nessa vida, em nossa relação com Deus. “O que eu faço, tu não entenderás agora”, disse o Mestre.
É claro que não podia deixar de prestar minha homenagem àquele a quem Deus deu o privilégio de carregar o bebê, brincar com o menino, desentender-se com o adolescente e reatar laços de amizade com o adulto e hoje também pai. Preciso agradecer o meu pai, o senhor Rubeci Gonçalves, com quem aprendi a ser homem. Ele não conhecia a Jesus como eu conheço hoje, mas isso nunca o impediu de ser uma pessoa sincera e honrada, o que prova que as leis de Deus estão escritas nos corações dos homens indistintamente. Ele perdeu o pai dele (o meu avô Eduardo) no ano passado, e eu apenas posso imaginar a barra que deve ter sido. Seria uma grande barra pra mim perder o meu velho e guerreiro, e não gosto nem de pensar na hipótese disso acontecer. No entanto, estou convencido que para aquele que confia sua vida à Cristo, toda separação neste mundo é apenas passageira, pois um dia todos nos reuniremos em Cristo, no céu. Queria muito estar com meu pai hoje, porque imagino que isso é importante para ele neste dia, quando ele lembrar do pai dele, assim como eu gostaria que o Ravi estivesse comigo se um dia eu “perdesse” o meu velho. Amor de filho não substitui amor de pai (e hoje eu sei disso!), mas ao menos consola. Vou ficar devendo esse abraço, porque o preço da redenção de muitas almas é o sacrifício da separação. Foi isso que Deus me ensinou naquela tarde inesquecível no museu Tallán.
Por último (mas não menos importante – aliás, é justamente o contrário), e já me acabando em lágrimas, quero agradecer a Deus por ter me dado o grande privilégio de ser seu filho, mesmo eu sendo aquele jovem rebelde e cheio de pecados, alguns dos quais ainda habitam os porões da minha alma e volta e meia querem me assolar. Não podem, porém, separar-me de Deus, pois nenhum pecado é maior que o sangue daquele que me comprou quando me salvou de mim mesmo. Quero felicitar a Deus neste dia dos pais (e porque não?), e dizer que não há nada mais recompensador do que viver intensamente para a Sua glória, e que não desejo honras nem louvores, não quero fama ou riquezas. Quero apenas viver para te servir e ser aquilo que o Senhor tiver reservado para mim.
A todos os pais que lêem este blog, um feliz dia!
Soldado ou guerrilheiro: Quem é você afinal?

O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento do PT com as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.
Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com o PT. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.
Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?
Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?
Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!
Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?
Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.
Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.
Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!
Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.
Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?
Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com o PT. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.
Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?
Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?
Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!
Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?
Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.
Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.
Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!
Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.
Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?
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